Arquivo de 23/ago/2009

Insuficiência cardíaca direita – O que é?

Categoria(s): Dicionário, Distúrbios cardiocirculatórios


Conceito

Insuficiência cardíaca direita

A insuficiência cardíaca direita (ICD) se apresenta em decorrência de falência crônica da função ventricular direita. Como o ventrículo direito funciona principalmente na forma de capacitância estes fenômenos ocorrem de forma lenta e gradual. Os sinais e sintomas apresentados pelos pacientes são de edema periférico (inchaço nos pés, pernas, abdome e braços), congestão visceral – figado com hepatomegalia dolorosa, esplenomegalia e edema das alças abdominais, além de coleção de líquido entre as serosas (ascite, derrame pleura, derrame pericárdico). As veias mostram-se bastante distendidas, especialmente as jugulares e safenas.

As imagens mostram a congestão hepática e a dilatação das veis supra hepáticas.

Estudo hemodinâmico – Em secção transversal o ventrículo direito (VD) tem a forma de meia-lua, na qual a parede livre é côncava e o septo convexo; o VD apresenta 1/3 da espessura do VE sendo irrigado predominantemente pela artéria coronária direita.

A pressão sistólica normal é de 25 mmHg – 30 mmHg e a diastólica final de 0 mmHg – 5 mmHg. Devido a baixa pressão sistólica, os vasos coronarianos intramiocárdicos não são comprometidos nesta fase, portanto, ao contrário do VE, sua perfusão é bifásica (sistólica e diastólica). Nas situações de importante aumento da pós-carga, a elevação da pressão sistólica comprime os vasos intramiocárdicos, ficando a perfusão dependente da fase diastólica o que agrava a função contrátil e a IC direita.

Este fato ocorre com a súbita oclusão das artérias pulmonares resultante das embolias pulmonares, sendo que estas dependerão da severidade da área vascular ocluída, da capacidade do VD em vencer a elevação da pós-carga e da reserva de perfusão coronária direita para este ventrículo.

Veja – Cor pulmonale

Referências:

Westaby S, Karp RB, Blackstone EH, Bishop SS – Adult human valve dimensions and their surgical significance. Am J Cardiol. 1984;53:553.

Cournand A, Ranges HÁ – Catheterization of the right auricle in man. Proc Soc Exp Biol. 1941;46:462.

Kitabatake A, Inouse M, Asão M et al – Noninvasive evaluation of pulmonary hypertension by a pulsed Doppler technique. Circulation 1983;68:302-309.

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Insuficiência cardíaca congestiva (ICC) – Quais as causas?

Categoria(s): Distúrbios cardiocirculatórios, Emergências


Etiologias

EletrocardiogramaA doença cardiovascular é a principal causa de morbidade e mortalidade entre os idosos. Dentre elas, a insuficiência cardíaca congestiva (ICC) destaca-se pelo pior prognóstico pelo grande número de internações e por altas taxas de mortalidade hospitalar. Aproximadamente 75% dos pacientes ambulatoriais atendidos com diagnóstico de ICC são idosos. Assim, a insuficiência cardíaca congestiva transforma-se em grave problema de saúde pública, sobretudo entre as mulheres idosas, onde as taxas de morbi-mortalidade crescem vertiginosamente.

As duas principais causas de ICC, a doença arterial coronária e a hipertensão arterial sistêmica, tiveram suas taxas de mortalidade reduzidas nos últimos 20 anos em cerca de 50% e 60%, respectivamente. Paradoxalmente, tanto a incidência como a prevalência da ICC aumentaram nesse mesmo período. Tal fenômeno deve-se fundamentalmente ao envelhecimento da população assim como aos efeitos benéficos da terapêutica atual sobre a mortalidade por doença arterial coronária e acidente vascular cerebral. Nas mulheres a hipertensão arterial sistêmica é a principal causa de ICC, enquanto a doença arterial coronária é mais freqüente entre os homens. No entanto, após um quadro sintomático de infarto agudo do miocárdio, a probabilidade de desenvolver ICC foi maior entre as mulheres.

A miocardiopatia idiopática, as doenças valvares, a fibrilação atrial crônica, o diabete e os antecedentes pessoais de edema agudo pulmonar são mais freqüentemente observados entre as mulheres e o tabagismo, entre os homens.

A ICC na mulher idosa apresenta 7 peculiaridades que devem ser observadas pelo médico que a assiste:
1. A sobrevida da insuficiência cardíaca congestiva nos idosos é baixa.
2. A insuficiência cardíaca é causa freqüente de morbidade e mortalidade.
3. A etiologia é multifatorial, sendo a hipertensão arterial sistêmica mais freqüente no sexo feminino.
4. As alterações cardiovasculares próprias do envelhecimento podem dificultar o diagnóstico e alterar o tratamento.
5. Observância de doenças associadas que minimizam ou mascaram a clínica de insuficiência cardíaca congestiva.
6. A influência do estilo de vida, em especial o sedentarismo, pode ser fator determinante nas diferenciações clínicas da insuficiência cardíaca congestiva entre homens e mulheres.
7. Existe uma incidência maior de efeitos colaterais e interações medicamentosas.

Referências:

Ho KKL, Pinsky JL, Kannel WB et al. The epidemiology of heart failure: The Framingham Study. J Am Coll Cardiol 1993;224(suppl A):6A-13A.

Johnson MR. Heart failure in women: a special approach? J Heart Lung Transplant 1994;13:S130-4.

Rich MW. Epidemiology and etiology of congestive heart failure in the elderly. Am J Geriatr Cardiol 1996;5:16-9.

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