Arquivo de 19/abr/2010

Cardiopatia – Como fazer condicionamento físico?

Categoria(s): Atividade física, Cuidados preventivos, Distúrbios cardiocirculatórios


Condicionamento físico

Miocardiopatia dilatada

O efeito nocivo do repouso no leito, mesmo por alguns dias, é mais evidente nos idosos. A mobilização precoce previne a intolerância ortostática, pois a posição vertical limita a ocorrência de hipovolemia e de taquicardia reflexa. Nos últimos 30 anos a idéia de contra indicar atividades físicas para cardiopatas, foi progressivamente abandonada. Esta atitude decorreu de inúmeras publicações que evidenciaram os benefícios da atividade física em coronariopatas. Após a alta hospitalar, em nível ambulatorial ou comunitário, a utilização de exercícios dinâmicos em pacientes pós-infarto do miocárdio e nos que foram submetidos à cirurgia de revascularização, permitem um aumento da aptidão cardiovascular, essencial para o desenvolvimento de suas atividades diárias. Outras vantagens da reabilitação cardíaca incluem a diminuição da depressão e da ansiedade.

A reabilitação do idoso deve ser iniciada na fase hospitalar com a deambulação precoce, um componente importante na sua recuperação, pois auxilia o paciente na manutenção do tônus muscular e na mobilidade das articulações. Essa é a oportunidade ideal para ensinar os idosos a fazer exercícios de aquecimento antes das atividades físicas. No sentido mais amplo, todos os tipos de tratamento, como educação, aconselhamento, nutrição e treinamento físico são combinados para compor a reabilitação. Todas essas técnicas têm a finalidade de ajudar os pacientes, dentro de suas possibilidades, a retornar ao estilo de vida normal.Ao idoso, é importante a manutenção de sua orientação de tempo e lugar, o que nem sempre é fácil no ambiente de um centro de terapia intensiva. Muitos desses indivíduos têm limitações de audição e de visão, e freqüentemente a melhor terapia na restauração de sua orientação é simplesmente devolver seus óculos e os aparelhos de audição.

A reação cardiovascular aos exercícios físicos difere no idoso, devido à redução na resposta à estimulação beta-adrenérgica e à maior dependência ao enchimento diastólico no rendimento cardíaco. A elevação do débito cardíaco não é mediada pelas catecolaminas, que é traduzida pela elevação da freqüência cardíaca. Com o envelhecimento, durante o exercício ocorre acentuada elevação das pressões de enchimento do coração, o que contribui para o aumento do volume sistólico, compensando a redução da complacência cardíaca.

A adaptação fisiológica ao treinamento físico nos idosos é mais bem realizada com exercícios de menor intensidade, com maior freqüência e com duração mais prolongada.

Contra-indicações ao condicionamento físico
1. Angina instável
2. Disritmia cardíacas graves
3. Insuficiência cardíaca descompensada
4. Obstrução grave na via de saída do VE
5. Aneurisma aórtico
6. Dissecção da aorta
7. Miocardite aguda
8. Pericardite aguda
9. Doença sistêmica grave
10. Quadro infecciosa recente
11. Tromboflebite
12. Embolia sistêmica ou pulmonar recente
13. Hipertensão arterial descontrolada
14. Diabetis mellitus descontrolado
15. Limitações ortopédicas

Nos idosos, é importante preservar a função física, a mobilidade e a auto-suficiência, que contribuem para uma vida autônoma e independente, além de manter a função mental, que inclui o auto-respeito, a auto-imagem e a consciência, participando da limitação da ansiedade e da depressão.

Referências:

Resnick BM. Rehabilitation is for elderly too. Adv Clin Care 1991;6:43.

Kammer K. Die rolle der pflege in der geriatrischen rehabilitation. Z Gerontol 1992;24:77.

Wenger NK. Improvement of quality of life in the framework of coronary rehabilitation. In: Pashkow FJ, Dafoe WA, ed. Clinical Cardiac Rehabilitation. Baltimore: Williams & Wilkins, 1993;40.

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Cardiopatia – Reabilitação física nos idosos?

Categoria(s): Atividade física, Cuidados preventivos, Distúrbios cardiocirculatórios


Reabilitação física

Miocardiopatia dilatada

Metas da reabilitação física – As metas da reabilitação dos idosos são um tanto diferentes da população mais jovem. Nos jovens, a meta principal é o retorno ao trabalho. Nos idosos, é importante preservar a função física, a mobilidade e a auto-suficiência, que contribuem para uma vida autônoma e independente, além de manter a função mental, que inclui o auto-respeito, a auto-imagem e a consciência, participando da limitação da ansiedade e da depressão. Os efeitos benéficos da atividade física nos idosos são múltiplos, entre os quais destacam-se manutenção da mobilidade articular e melhora da coordenação neuromuscular, da flexibilidade, da estabilidade articular e da força muscular, bem como da resistência dos tendões. Esses efeitos reduzem a incidência de quedas, freqüentes nos idosos. A osteoporose, importante problema no envelhecimento, apresenta melhora, pois a atividade provavelmente limita a perda mineral dos ossos.

Início da reabilitação física – A reabilitação dos idosos deve ser iniciada na fase hospitalar com a deambulação precoce, um componente importante na sua recuperação, pois auxilia o paciente na manutenção do tônus muscular e na mobilidade das articulações. Essa é a oportunidade ideal para ensinar a fazer exercícios de aquecimento antes das atividades físicas. Ao paciente, é importante a manutenção de sua orientação de tempo e lugar, o que nem sempre é fácil no ambiente de um centro de terapia intensiva. Muitos desses indivíduos, geralmente idosos, têm limitações de audição e de visão, e freqüentemente a melhor terapia na restauração de sua orientação é simplesmente devolver seus óculos e os aparelhos de audição.

Atualmente, um número crescente de coronariopatas participa de programas de exercícios de reabilitação, supervisionados ou independentes. Os treinamentos físicos induzem adaptações hemodinâmicas periféricas, com melhoria na extração dos substratos e do oxigênio durante os exercícios, com redução do trabalho cardíaco e elevação do limiar de angina. A recomendação aos pacientes coronarianos como parte de um programa de reabilitação é iniciar sempre com treinamento aeróbio de baixa intensidade (2 a 3 METs), com incrementos graduais de intensidade e duração, evitando o desconforto e prevenindo outras lesões. Um programa de caminhadas prescrito pode ser ideal. Caminhar não exige habilidades, instalações ou equipamentos, e mesmo na velocidade de 3 a 5 km/hora favorece porcentual apreciável de capacidade aeróbia e fornece estímulo de condicionamento suficiente. As complicações musculares e esqueléticas são substancialmente reduzidas, evitando-se atividades de maior impacto. A intensidade do exercício deve estar entre 60% e 70% da freqüência cardíaca alcançada com segurança, no teste ergométrico prévio, o que torna a reabilitação não-supervisionada mais segura.

A reação cardiovascular aos exercícios físicos difere no idoso,  devido à  redução na resposta à  estimulação beta-adrenérgica e à  maior  dependência ao enchimento diastólico no rendimento cardíaco. A elevação  do débito cardíaco não é mediada pelas catecolaminas, que é traduzida  pela elevação da freqüência cardíaca. Com o envelhecimento, durante o  exercício ocorre acentuada elevação das pressões de enchimento do  coração, o que contribui para o aumento do volume sistólico, compensando  a redução da complacência cardíaca.

Forma de instituir a reabilitação física – A adaptação fisiológica ao treinamento físico nos idosos é mais bem  realizada com exercícios de menor intensidade, com maior freqüência e  com duração mais prolongada. A monitorização eletrocardiográfica é  indicada somente para grupos de alto risco. Ênfase maior deve ser  dedicada ao aquecimento e ao esfriamento mais prolongado. O aquecimento  deve preparar eficientemente o idoso para uma atividade  musculoesquelética e respiratória durante o esforço. O esfriamento deve  permitir a dissipação gradativa da carga térmica subseqüente à   vasodilatação periférica, pois, além da menor transpiração no idoso, sua  pele é mais ressecada, dissipando mal o calor gerado. A freqüência  cardíaca alcançada durante o exercício retorna lentamente aos níveis de  repouso, razão pela qual são recomendados intervalos de descanso mais  prolongados, ou intercalados tempos mais longos de atividade de baixa  intensidade entre os períodos de esforço.

Características da atividade física prescrita para os idosos:
– Aquecimento e esfriamento prolongado.
– Maior tempo para a freqüência cardíaca retornar ao nível de repouso.
– Tempo mais prolongado para a obtenção do efeito de treinamento.
– Restrição de atividades de alto impacto (correr e saltar).
– Evitar atividades nos ambientes quentes e úmidos.

Referências:
Ostfeld AM, Bortnichak E. Classification and prevalence of heart disease in the elderly. In: Luchi RJ, ed. Clinical Geriatric Cardiology. London: Churchill Livingstone, 1989;3.
Resnick BM. Rehabilitation is for elderly too. Adv Clin Care 1991;6:43.
Wenger NK. Improvement of quality of life in the framework of coronary rehabilitation. In: Pashkow FJ, Dafoe WA, ed. Clinical Cardiac Rehabilitation. Baltimore: Williams & Wilkins, 1993;40.
Harris R. Fitness and the aging process. In: Harris R, Frankel L, eds. Guide to Fitness after Fifty. New York: Plenum Press, 1977;3.
Harris R. Exercise and physical fitness for the elderly. In: Reichel W, ed. Clinical Aspects of Aging. Baltimore: Williams & Wilkins, 1989;87.
Wenger NK. Elderly coronary patients. In: Wenger NK, Hellerstein HK, eds. Rehabilitation of the Coronary Patient. New York: Churchill Livingstone, 1992;415.

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