Cardiopatia – Reabilitação física nos idosos?

Categoria(s): Atividade física, Cuidados preventivos, Distúrbios cardiocirculatórios

Reabilitação física

Miocardiopatia dilatada

Metas da reabilitação física – As metas da reabilitação dos idosos são um tanto diferentes da população mais jovem. Nos jovens, a meta principal é o retorno ao trabalho. Nos idosos, é importante preservar a função física, a mobilidade e a auto-suficiência, que contribuem para uma vida autônoma e independente, além de manter a função mental, que inclui o auto-respeito, a auto-imagem e a consciência, participando da limitação da ansiedade e da depressão. Os efeitos benéficos da atividade física nos idosos são múltiplos, entre os quais destacam-se manutenção da mobilidade articular e melhora da coordenação neuromuscular, da flexibilidade, da estabilidade articular e da força muscular, bem como da resistência dos tendões. Esses efeitos reduzem a incidência de quedas, freqüentes nos idosos. A osteoporose, importante problema no envelhecimento, apresenta melhora, pois a atividade provavelmente limita a perda mineral dos ossos.

Início da reabilitação física – A reabilitação dos idosos deve ser iniciada na fase hospitalar com a deambulação precoce, um componente importante na sua recuperação, pois auxilia o paciente na manutenção do tônus muscular e na mobilidade das articulações. Essa é a oportunidade ideal para ensinar a fazer exercícios de aquecimento antes das atividades físicas. Ao paciente, é importante a manutenção de sua orientação de tempo e lugar, o que nem sempre é fácil no ambiente de um centro de terapia intensiva. Muitos desses indivíduos, geralmente idosos, têm limitações de audição e de visão, e freqüentemente a melhor terapia na restauração de sua orientação é simplesmente devolver seus óculos e os aparelhos de audição.

Atualmente, um número crescente de coronariopatas participa de programas de exercícios de reabilitação, supervisionados ou independentes. Os treinamentos físicos induzem adaptações hemodinâmicas periféricas, com melhoria na extração dos substratos e do oxigênio durante os exercícios, com redução do trabalho cardíaco e elevação do limiar de angina. A recomendação aos pacientes coronarianos como parte de um programa de reabilitação é iniciar sempre com treinamento aeróbio de baixa intensidade (2 a 3 METs), com incrementos graduais de intensidade e duração, evitando o desconforto e prevenindo outras lesões. Um programa de caminhadas prescrito pode ser ideal. Caminhar não exige habilidades, instalações ou equipamentos, e mesmo na velocidade de 3 a 5 km/hora favorece porcentual apreciável de capacidade aeróbia e fornece estímulo de condicionamento suficiente. As complicações musculares e esqueléticas são substancialmente reduzidas, evitando-se atividades de maior impacto. A intensidade do exercício deve estar entre 60% e 70% da freqüência cardíaca alcançada com segurança, no teste ergométrico prévio, o que torna a reabilitação não-supervisionada mais segura.

A reação cardiovascular aos exercícios físicos difere no idoso,  devido à  redução na resposta à  estimulação beta-adrenérgica e à  maior  dependência ao enchimento diastólico no rendimento cardíaco. A elevação  do débito cardíaco não é mediada pelas catecolaminas, que é traduzida  pela elevação da freqüência cardíaca. Com o envelhecimento, durante o  exercício ocorre acentuada elevação das pressões de enchimento do  coração, o que contribui para o aumento do volume sistólico, compensando  a redução da complacência cardíaca.

Forma de instituir a reabilitação física – A adaptação fisiológica ao treinamento físico nos idosos é mais bem  realizada com exercícios de menor intensidade, com maior freqüência e  com duração mais prolongada. A monitorização eletrocardiográfica é  indicada somente para grupos de alto risco. Ênfase maior deve ser  dedicada ao aquecimento e ao esfriamento mais prolongado. O aquecimento  deve preparar eficientemente o idoso para uma atividade  musculoesquelética e respiratória durante o esforço. O esfriamento deve  permitir a dissipação gradativa da carga térmica subseqüente à   vasodilatação periférica, pois, além da menor transpiração no idoso, sua  pele é mais ressecada, dissipando mal o calor gerado. A freqüência  cardíaca alcançada durante o exercício retorna lentamente aos níveis de  repouso, razão pela qual são recomendados intervalos de descanso mais  prolongados, ou intercalados tempos mais longos de atividade de baixa  intensidade entre os períodos de esforço.

Características da atividade física prescrita para os idosos:
– Aquecimento e esfriamento prolongado.
– Maior tempo para a freqüência cardíaca retornar ao nível de repouso.
– Tempo mais prolongado para a obtenção do efeito de treinamento.
– Restrição de atividades de alto impacto (correr e saltar).
– Evitar atividades nos ambientes quentes e úmidos.

Referências:
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