Arquivo de 11/maio/2010

Vasculite livedóide – O que é?

Categoria(s): Dicionário, Distúrbios cardiocirculatórios, Distúrbios Inflamatórios


Dicionário

Vasculite livedóide

A  vasculite livedóide (VL) que é uma doença crônica que se caracteriza pela presença de múltiplas ulcerações recorrentes e dolorosas nos membros inferiores, que ao cicatrizarem apresentam área com atrofia branca, cercada por hiperpigmentação e telangiectasias (pequenos vasos neoformados). A VL já foi descrita em diferentes grupos populacionais e acomete ambos os sexos, com leve predomínio em mulheres. A idade de início geralmente é em torno dos 30 anos, entretanto, há relatos de casos em crianças e idosos. Os pacientes são assintomáticos até que haja ulceração da pele. Essas úlceras são geralmente pequenas, dolorosas e têm bordas irregulares. Há relatos de lesões semelhantes às da VL em pacientes que utilizaram hidoxiuréia para o tratamento da leucemia mielóide crônica. O diagnóstico é pelo aspecto das lesões e o tratamento inclui repouso e utilização de anti-sépticos local nas lesões, para evitar infecções secundárias.

Etiologia – A etiologia da VL é desconhecida e por muitos anos foi considerada uma vasculite primária. Recentemente, a VL vem sendo considerada uma vasculopatia (doença dos vasos) oclusiva devido a um estado de hipercoagulabilidade. Diferentes alterações da coagulação têm sido descritas como associadas à VL, principalmente a presença de fator V mutante de Leiden, deficiência de proteína C e defeito do ativador de plasminogênio tissular confinado à área envolvida. Presença de altos níveis de anticorpos anticardiolipina também tem sido descrita em alguns pacientes com VL.

A histopatologia revela a presença de depósitos de fibrina na parede e no lúmen, além de hialinização e proliferação endotelial de pequenos vasos da derme e hipoderme. A VL difere das vasculites cutâneas por não se encontrarem infiltrado inflamatório perivascular significativo, leucocitoclasia ou necrose fibrinóide da parede do vaso. A imunofluorescência direta revela depósitos de IgM e, ocasionalmente, de IgG e de IgA no vaso envolvido.

Referências:

Souza, AWS; Sato EI – Vasculite livedóide. Rev Sinopse Reum. 2004 Abr A 6 N 1

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Vasculite livedóide (VL) – Como tratar?

Categoria(s): Cuidados preventivos, Distúrbios cardiocirculatórios, Distúrbios Inflamatórios, Medicamentos


Tratamento

O tratamento da vasculite livedóide (VL) inclui repouso e utilização de anti-sépticos local nas lesões, para evitar infecções secundárias. O tratamento sistêmico é bastante difícil e não há estudos controlados. A experiência da literatura no tratamento da VL é baseada em relatos e séries de casos e a escolha do tratamento deve ser individualizada. No passado, a fenformina era utilizada empiricamente no tratamento da VL com certo sucesso. Atualmente, a maioria dos autores recomenda o uso de ácido acetilsalicílico (200 mg/dia), associado à pentoxifilina (400 mg de 12/12 horas). O uso de anticoagulante oral (warfarin) em baixas doses também vem sendo recomendado, como alternativa nos casos não responsivos. Em casos refratários a essas medidas preconiza-se o uso de corticosteróides, colchicina e azatioprina, além de pulsoterapia com ciclofosfamida e de imunoglobulina endovenosa. Recomenda-se o uso de imunossupressores quando houver neuropatia associada.

A QUEM CONSULTAR – O especialista indicado para o caso é o médico angiologista, que é especializado no tratamento das doenças das artérias e veias.

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