Vermelhidão no rosto (Eritema facial) – O que pode ser?

Categoria(s): Distúrbios da pele, Distúrbios Inflamatórios

Interpretação

  • Uma paciente de 54 anos procura o consultório para avaliar lesão avermelhada na face que surgiu há quatro meses. O médico que a consultou diz trata-se de lúpus, o que a deixou muito preocupada pois sabe dos problemas vividos por uma amiga portadora de lúpus eritematoso sistêmico.

Gostaria de saber se poderia ser outra doença?

Rosácea

A história clínica desta paciente e o aspecto clínico são característicos de rosácea, uma dermatose crônica de pacientes de meia idade ou idosos. A rosácea começa insidiosamente com um eritema transitório, seguida por pequenas veias (teleangiectasias), pápulas, pústulas e, raramente, nódulos. Os pacientes frequentemente relatam rubor facial em seguida à ingestão de líquidos quentes ou álcool. Muitas vezes o diagnóstico dos pacientes com eritema facial pode ser difícil fazer a distinção entre distúrbios cutâneos relativamente benignos, como rosácea e doenças com consequências sistêmicas como lúpus eritematoso sistêmico (LES) e dermatomiosite.

Rosácea – As pápulas e pústulas faciais centrais permitem o diagnóstico de rosácea, dispensando a biópsia de pele. Entretanto, se num exame dermatológico não se pode diferenciar uma rosácea do lúpus ou a dermatomiosite, a biópsia deve ser indicada para o diagnóstico cujas características histopatológicas são distintas. No presente caso, apesar de características clínicas de rosácea a biópsia dará o diagnóstico definitivo. Outros exames como hemograma e anticorpo antinucleares não permitem distinguir as lesões, pois resultados alterados podem ocorrer nas três patologias dermatológicas. Um teste de anticorpos antinucleares pode ser positivo em pacientes com lúpus ou dermatomiosite; entretanto, cerca de 25% a 30% das pessoas normais com mais de 65 anos têm pesquisas de anticorpos antinucleares positivas.

Dermatofitose – lesões fúngicas envolvendo a face (tinea faciei) é uma infecção rara e frequentemente esquecida. As lesões são simétricas, avermelhadas (eritematosas) e algumas vezes anulares. Um exame de uma escama superficial com hidróxido de potássio mostra a presença diagnóstica de hifas.

Dermatite alérgica de contato
– a dermatite alérgica manifesta-se como um erupção papular pruriginosa e vesicular que ocorre no local de exposição ao antígeno. Apresenta um início abrupto e se resolve em poucas semanas com o afastamento do agente causador.

Dermatite irritante de contato – Esta dermatite é resultante da exposição repetitiva a um agente químico agressivo e se apresenta com eritema confluente com liquenificação, escamas e fissuras.

Lúpus – Pode ser difícil distinguir erupções faciais associadas ao lúpus daquelas da rosácea. O eritema macular malar simétrico é observado no LES; No Lúpus eritematoso discóide cutâneo, observam-se lesões eritematosas demarcadas planas, placas hipo e hiperpigmentadas no couro cabeludo e áreas expostas ao sol. Uma biopsia de pele na região de uma erupção cutânea de um paciente com Lúpus revela uma liquefacção da camada basal na junção derme-epiderme acompanhada de infiltração de células inflamatórias (perivasculares) e extravasão de glóbulos vermelhos, conduzindo à erupção visível.

Dermatomiosite – A dermatomiosite se manifesta com rash violáceo, eritematoso, sobre as pálpebras, ponta do nariz, face e região anterior do pescoço e tórax. Acompanha o quadro fraqueza muscular nos braços e pernas, sobretudo na musculatura proximal. Aproximadamente um terço dos pacientes apresenta pápulas violáceas sobre a superfície dorsal das articulações interfalangeanas, conhecidas como pápulas de Gottron. Com base na história clínica, devemos pensar na associação de dermatomiosite com neoplasia maligna, que ocorre em 45% dos casos, quando o dermatomiosite inicia-se de forma súbita após os 40 anos de idade.

Dermatite seborréica – A dermatite seborréica é um distúrbio cutâneo crônico que se apresenta sob a forma de um eritema macular confluente, bem demarcada, com escamas gordurosas. As lesões são mais proeminentes no couro cabeludo, nas sobrancelhas, área da barba, sulcos nasolabiais e parte central e anterior do tórax.

Poiquiolodermia de Civatte – Doença benigna de carater genético que ocorre nos adultos e que piora com a exposição ao sol.

Referência:

Lerner EA, Lerner MR – Whither the ANA? Arch Dermatol 1987;123:358-362.

Wilkin JK – Use of topical produts for maintaining remission in rosacea. Arch Dermatol. 1999;135:79-80.

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