Estenose pulmonar – O que é?

Categoria(s): Distúrbios cardiocirculatórios, Distúrbios genéticos, Tratamento cirúrgico

Cardiopatia congênita

ESTENOSE PULMONAR

A estenose pulmonar valvar representa em incidência, 7% das cardiopatias congênitas, podendo ser extremamente grave nos neonatos, exigindo o diagnóstico e a terapêutica precoce. Algumas vezes o diagnóstico somente é feito na adolescência ou mesmo idade adulta, acarretando, pela evolução da doença, o aparecimento de casos graves onde o paciente apresenta pressão extremamente alta no ventrículo direito e mesmo calcificação da valva pulmonar.

Na estenose pulmonar congênita pura, a valva pulmonar é formada por uma membrana em forma de cúpula, de espessura variada, com uma pequena abertura central ou excêntrica. Os septos interatrial e interventricular estão íntegros.

HEMODINÂMICA: Hemodinâmicamente a obstrução a passagem do sangue do ventrículo direito pela valva pulmonar provoca aumento de pressão no ventrículo direito e conseqüente hipertrofia desta câmara. O grau destas alterações depende da intensidade da estenose.

CLÍNICA: As manifestações clínicas variam de acordo com o grau de estenose. Se for pequena ou moderada pode não ter nenhum sintoma, se é grave, apresenta dispnéia de esforço e redução da capacidade ao exercício, impedindo mesmo de caminhar pequenas distâncias.

Nos casos leves e moderados o desenvolvimento físico é normal, porém nos casos graves o rosto fica edemaciado, dando um aspecto de “face de lua”. A dispnéia e a cianose são uma constante, além do baixo desenvolvimento físico.

ECODOPPLERCARDIOGRAMA – O ecocardiograma é o exame que permite o rápido diagnóstico desta patologia, assim como as possíveis associações com outras malformações.

TRATAMENTO – As crianças com estenose pulmonar moderada ou grave necessitam de rápido procedimento cirúrgico, prevenindo as complicações, sendo que a insuficiência cardíaca é a mais comum. O tratamento pode ser apenas abertura da valva ou nos casos mais graves a troca da valva. Um outro procedimento muito em uso na atualidade é a valvoplastia por cateter balão. A estenose da valva pulmonar cerca de 10 % de todas as lesões congênitas que acometem o coração, justificando este procedimento terapêutico alternativo, eficiente e seguro.

VALVOPASTIA POR CATETER BALÃO – A primeira tentativa de comissurotomia pulmonar não cirúrgica na sala de cateterismo cardíaco foi realizada em 1951 por Rubio-Alvarez e col, utilizando como cateter uma sonda uretral número 8. adaptando na porção exploradora dois fios metálicos: um com a finalidade de dar consistência a sonda e outra, com função de corte, capaz de abrir as comissuras fundidas. O primeiro relato de valvoplastia pulmonar por balão foi feito por Jean Kan e col em 1982, passou a ser um método de escolha no tratamento de casos selecionados de estenose pulmonar valvar. O emprego deste procedimento para os casos de estenose pulmonar valvar calcificada não é freqüente. Este procedimento quando utilizados em neonatos e lactentes mostra limitações pelas dificuldades técnicas determinadas pelo difícil acesso ao tronco pulmonar, uso de cateter rígido e horizontalização da via de saída do VD. Pelo beneficio relativo neste grupo poder-se-ia considerar o método como paliativo, pois na evolução observou-se necessidade de cirurgia ou nova valvoplastia. A perspectiva de bons resultados aumenta sensivelmente com crianças de maior idade. Quanto aos riscos são basicamente os mesmos do cateterismo cardíaco com finalidade diagnóstica. O aparecimento de insuficiência pulmonar em variados graus ocorre em 31.4% dos casos, porém, não causa grandes repercussões hemodinâmicas e nem necessita intervenções.

Referências:

Watason H, Escocia D – Estenose Pulmonar. Cap 33 In Watson H (Ed) Cardiologia Pediatrica. Madrid, Salvat, 1970.p.556.
Kan JS, White RI, Mitchell SE, Gardner TJ – Percutaneous balloon valvuloplasty: a new method for treating congênital pulmonar valve stenosis. N Engl J Med,1982;307:540-542.
Mora RD Jr, Esteves ca, Tazasaki GR, Peixoto ML, Pezarini A – Valvoplastia pulmonar com cateter balão na estenose pulmonar valvar calcíficada. Arq Bras Cardiol, 1992;59(3):215-217.
Goncalves RC, Rati MAN, Albuquerque AMT et al – Tratamento por cateter-balão da estenose pulmonar valvar. Arq Bras Cardiol. 1989;53(5):257-260.
Fontes VF, Souza JEMR, Esteves CA et al – Regressão da hipertrofia do infundibulo do ventrículo direito após valvoplastia pulmonar. Arq Bras Cardiol. 1988;51(2):147-152.
Rubbio-Alvares V, Lason RL, Soni J – Valvulotomias intracardíacas por médio de um cateter. Arch Inst Cardiol Mex. 1953;23:183.

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