Arquivo de 17/jul/2010

Constipação intestinal – Como entender?

Categoria(s): Distúrbios digestivos, Distúrbios funcionais


Editorial

A fisiologia da evacuação está diretamente relacionada com o funcionamento adequado do sistema nervoso central e entérico. Este relacionamento é extremamente complexo, e somente na última década pode ser melhor compreendido, pois envolve a participação do sistema nervoso entérico intrínseco (figura) e o autonômico, extrínseco, com seus nervos simpáticos (segmentos torácicos e lombares) e parassimpáticos (vago e plexo lombo-sacro), todos conectados ao SNC, via medula espinhal.

O SNC recebe continuamente informações de todo trato gastrointestinal, porém , em condições fisiológicas a maioria das informações não atinge o nível de consciência, portanto sem a nossa percepção, sendo processadas pelo hipotálamo.

Colon

A refeição é o maior estímulo para a movimentação peristáltica do cólon. A motricidade intestinal é controlada pelo plexo mioentérico e, os plexos da submucosa, o controle do fluxo sanguíneo e da secreção. O plexo mioentérico responsabiliza-se por dois terços de todos os neurônios entéricos, incluindo neurônios aferentes intrísecos primários, interneurônios, neurônios motores excitatórios e inibitórios, neurônios viscerofugais e neurônios secretomotores e vasomotores que se projetam ao epitélio e a vasos sangüíneos da submucosa.

A atividade neuronial entérica é modulada por diversas substâncias, como a histamina, prostaglandinas, leucotrienos, interleucinas, proteases e a serotonia. A função de modulação do trato gastrointestinal pela serotonina (5-HT) é estabelecida pela sua ação em nervos intrísecos e extrínsecos que, possuindo os receptores serotoninérgicos, sinalizam aos neurônios aferentes modificações presentes na mucosa do trato digestivo.

A serotonina liberada pelas células enterocromafins, nos neurônios, mastócitos e células musculares, por aumento da pressão intraluminal do intestino e estímulos químicos, atinge os receptores (5-HT 1p; 5 – HT3; 5-H4) existentes nos neurônios aferentes intrínsecos primários e, conseqüentemente, reflexos entéricos capazes de alterar a secreção intestinal ou a contração muscular. A estimulação de receptores 5-HT4 resulta na liberação de neurotransmissores como acetilcolina e peptídeo relacionado ao gen da calcitonina de neurônicos entéricos os quais modulam o reflexo peristáltico.

Estes mecanismos explicam os distúrbios intestinais decorrem dos estados emocionais, tanto de constipação, como de diarréias. Veja Síndrome do Intestino irritável (SII).

A história clínica permite uma boa inferência no diagnóstico e a utilização de tratamentos psicológicos que incluem psicoterapia, hipnoterapia, terapia comportamental é de extrema valia no controle das doenças intestinais. O uso de anti-depressivos e ansiolíticos pode controlar os episódios agudos ou prolongados do distúrbios intestinal, porém o seu uso deve ser bem criterioso.

Referências:

Mearin F, Roset M, Badia X, Balboa A, Baro E, et al – Spittling irritable bowel syndrome: from original Rome to Rome II criteria. Am J Gastroenterol 2004;99:122-130.

Schwertz I, Bradesi S, mayer EA – Current insights into pathophysiology of irritable bower syndrome. Curr Gastroenterology Reports 2003;5:331-336.

Quilici FA, André SB – Um consenso nacional sobre a síndrome do intestino irritável. Lemos Editorial. 2000; 106 pgs.

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Estenose aórtica calcífica – Como é feito o diagnóstico?

Categoria(s): Distúrbios cardiocirculatórios


Autor

Diagnóstico

A estenose aórtica pura é relativamente freqüente na população geral e apesar de dispormos de vários tipos de exames complementares no diagnóstico, a propedêutica clínica apurada e fundamental, pois, uma vez sintomático, a mortalidade desta patologia ocorre em 25% dos casos no primeiro ano e 50% no segundo ano, podendo ocorrer morte súbita em mais de metade destes casos e o diagnóstico precoce pode mudar o curso natural.

O aspecto geral do paciente pouco se modifica nas fases iniciais da doença, e somente observamos alterações mais significativas quando se instala a insuficiência cardíaca, com dispnéia de repouso, taquicardia, episódios de síncope ou angina pecturis.

O estudo ecodopplercardiográfico é o que, inicialmente, pode evidenciar a lesão valvar e o grau de seu comprometimento. Caso haja indicação de tratamento cirúrgico deve-se fazer o estudo das artérias coronárias por meio do cateterísmo cardíaco, ou ressonância magnética.

Referência:

Miguel Jr. A – Retratos em Cardiologia . Fundo Editorial Byk São Paulo, 1997.

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Estenose aórtica calcífica – Como se faz o tratamento?

Categoria(s): Distúrbios cardiocirculatórios


Tratamento

O tratamento da estenose aórtica calcífica é clínico, ou cirúrgico com plastia valvar, troca valvar e dilatação por cateter balão. A redução de 50% do valor da normal da área valvar aórtica, que é de aproximadamente 3.0 cm2, pode promover os sintomas característicos.

Os critérios clínicos para a indicação se baseiam nos achados ecodopplercardiográficos e hemodinâmicos, determinando o gradiente transvalvar, a área valvar e o grau de comprometimento do miocárdio, pois se esperarmos o aparecimento dos sintomas, pode, ser tarde demais.

Normalmente a cirurgia cardíaca de troca valvar aórtica e tratamento eletivo é estabelecido para a lesão estenótica importante, com mortalidade em torno de 1% a 5%. Nos pacientes idosos, no entanto a risco cirúrgico aumenta para 20% a 25%, principalmente quando existe disfunção ventricular. Outros fatores agravantes são: insuficiência renal, doenças restritivas do fluxo aéreo pulmonar e aterosclerose coronária.

Nos idosos pelo seu alto risco indica-se a valvoplastia por cateter balão. Nestes pacientes após a dilatação pode ocorrer leve grau de insuficiência aórtica e ainda não se observou fissuras das cúspides, liberação de fragmentos calcificados ou deslocamento e rotura do anel valvar.

Referência:

Miguel Jr. A – Retratos em Cardiologia . Fundo Editorial Byk São Paulo, 1997.

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