Constipação intestinal – Como entender?

Categoria(s): Distúrbios digestivos, Distúrbios funcionais

Editorial

A fisiologia da evacuação está diretamente relacionada com o funcionamento adequado do sistema nervoso central e entérico. Este relacionamento é extremamente complexo, e somente na última década pode ser melhor compreendido, pois envolve a participação do sistema nervoso entérico intrínseco (figura) e o autonômico, extrínseco, com seus nervos simpáticos (segmentos torácicos e lombares) e parassimpáticos (vago e plexo lombo-sacro), todos conectados ao SNC, via medula espinhal.

O SNC recebe continuamente informações de todo trato gastrointestinal, porém , em condições fisiológicas a maioria das informações não atinge o nível de consciência, portanto sem a nossa percepção, sendo processadas pelo hipotálamo.

Colon

A refeição é o maior estímulo para a movimentação peristáltica do cólon. A motricidade intestinal é controlada pelo plexo mioentérico e, os plexos da submucosa, o controle do fluxo sanguíneo e da secreção. O plexo mioentérico responsabiliza-se por dois terços de todos os neurônios entéricos, incluindo neurônios aferentes intrísecos primários, interneurônios, neurônios motores excitatórios e inibitórios, neurônios viscerofugais e neurônios secretomotores e vasomotores que se projetam ao epitélio e a vasos sangüíneos da submucosa.

A atividade neuronial entérica é modulada por diversas substâncias, como a histamina, prostaglandinas, leucotrienos, interleucinas, proteases e a serotonia. A função de modulação do trato gastrointestinal pela serotonina (5-HT) é estabelecida pela sua ação em nervos intrísecos e extrínsecos que, possuindo os receptores serotoninérgicos, sinalizam aos neurônios aferentes modificações presentes na mucosa do trato digestivo.

A serotonina liberada pelas células enterocromafins, nos neurônios, mastócitos e células musculares, por aumento da pressão intraluminal do intestino e estímulos químicos, atinge os receptores (5-HT 1p; 5 – HT3; 5-H4) existentes nos neurônios aferentes intrínsecos primários e, conseqüentemente, reflexos entéricos capazes de alterar a secreção intestinal ou a contração muscular. A estimulação de receptores 5-HT4 resulta na liberação de neurotransmissores como acetilcolina e peptídeo relacionado ao gen da calcitonina de neurônicos entéricos os quais modulam o reflexo peristáltico.

Estes mecanismos explicam os distúrbios intestinais decorrem dos estados emocionais, tanto de constipação, como de diarréias. Veja Síndrome do Intestino irritável (SII).

A história clínica permite uma boa inferência no diagnóstico e a utilização de tratamentos psicológicos que incluem psicoterapia, hipnoterapia, terapia comportamental é de extrema valia no controle das doenças intestinais. O uso de anti-depressivos e ansiolíticos pode controlar os episódios agudos ou prolongados do distúrbios intestinal, porém o seu uso deve ser bem criterioso.

Referências:

Mearin F, Roset M, Badia X, Balboa A, Baro E, et al – Spittling irritable bowel syndrome: from original Rome to Rome II criteria. Am J Gastroenterol 2004;99:122-130.

Schwertz I, Bradesi S, mayer EA – Current insights into pathophysiology of irritable bower syndrome. Curr Gastroenterology Reports 2003;5:331-336.

Quilici FA, André SB – Um consenso nacional sobre a síndrome do intestino irritável. Lemos Editorial. 2000; 106 pgs.

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