Silicose pulmonar – O que é?
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Interpretação clÃnica
- Homem de 62 anos, procurou o serviço médico por sentir intensa falta de ar e ocasionalmente tosse com escarro esbranquiçado. Nega “chiado” ou escarro com sangue. Não apresentou febre. Tabagismo desde os 16 anos, atualmente 1 maço por dia. Trabalhava em um negócio da familia como escultor de monumentos desde o final da adolescência, até que aposentou, aos 58 anos, por “bronquite crônica”. O exame fÃsico mostra tórax em quilha de navio, e a ausculta dos pulmões revelaram estertores bilaterais no final da inspiração. Está emagrecido e com dedos como “baqueta de tambor”.
- A radiografia de tórax (detalhe abaixo) revela opacificações nodulares arredondadas de 1 a 3 mm nos terços inferior e médio dos pulmões, tumoração mal definida de 8 cm por 6 cm no ápice pulmão direito.
- Após dois meses da consulta o paciente falece.
Qual a possÃvel doença?
O paciente deve ter silicose pulmonar em fase avançada com fibrose maciça progressiva (FMP). Ele teve extensa exposição à poeira de sÃlica durante anos no seu trabalho.
A “silicose simples” com nódulos pulmonares pequenos não está associada a sintomas ou anormalidades fisiológicas, no entanto, com a exposição continuada e o desenvolvimento de FMP, ocorrem os sintomas incapacitantes, com grave insuficiência pulmonar e comprometimento cardÃaco. A FMP é o termo genérico aplicado a uma reação fibrosante confluente no pulmão que pode ser uma complicação de qualquer pneumoconiose, apesar de ser mais comum na silicose e pneumoconiose dos trabalhadores com carvão.
Papel da sÃlica
A quantidade de sÃlica retida nos pulmões é determinada pela concentração desta poeira no ar ambiente, pela duração da exposição, pelos efeitos adicionais de outros irritantes (p. ex, fumo) e, pela eficácia dos mecanismos de limpeza das vias aéreas (aparato mucociliar). As partÃculas mais perigosas variam de 1 a 5 mm de diâmetro, pois podem alcançar as vias aéreas terminais e os sacos alveolares, acomodando-se em seus revestimentos.
A sÃlica é encontrada tanto na forma de cristais como na forma amorfa, mas nas formas de cristais (quartzo, cristobalita e tridimita) são as que mais promovem da fibrose (fibrogênica), revelando a importância da forma fÃsica e das propriedades de superfÃcie na patogênese da lesão pulmonar.
Após a inalação do quartzo, as partÃculas interagem (reatividade fÃsico-quÃmica) com as células epiteliais, causando lesão direta sobre os tecidos e à s membranas celulares através da interação com radicais livres e outros grupos quÃmicos na superfÃcie da partÃcula. O dano resultante na membrana celular pode causar morte da célula.
Apesar dos macrófagos pulmonares fagocitarem as partÃculas de sÃlica e poderem sucumbir a seus efeitos tóxicos, a sÃlica causa a ativação e liberação de mediadores (interleucina 1; fator de necrose tumoral, fibronectina, mediadores lipÃdicos, radicais livres derivados do oxigênio e citocinas fibrogênicas), que podem causar efeitos fibrogênicos causando a FMP.
As lesões decorrentes das pneumoconiose, preferentemente, localizam-se nos interstÃcios e saco alveolar levando à pneumonite intersticial, com pouca ação sobre os bronquios. Dai o uso dos broncodilatadores não trazerem tanto benefÃcio. Em fases precoces da doença a retirada do agente agressor, ou seja, afastar-se do local poluÃdo pela sÃlica, e moduladores da reação imunológica (corticóides) pode retardar a evolução do caso para a fibrose maciça pulmonar. No caso a presença de nódulo de 8 cm no ápice do pulmão pode ser um câncer de pulmão que pode ocorrer associado aos casos de pneumoconioses.
Tratamento – O tratamento é com suporte fisioterápico e oxigênioterapia, nos casos mais graves.
Referências:
Wagner GR – Asbestosis and silicosis. Lancet 1997;349:1311-1315.
Mossman BT, Chung A – Mechanisms in the pathogenesis of asbertosis and silicosis. Am J Respir Crit Care Med 1998;157:1666-1680.
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