Como é que ouvimos?

Categoria(s): Distúrbios auditivos

Sistema auditivo – O ouvido é constituido por um complexo de membranas que formam canais e cavidades, cheios de endolinfa, que flutuam dentro da perilinfa, que por sua vez as separam e protegem da carapaça óssea da cápsula ótica, situada na intimidade do osso mais duro do corpo humano, o osso temporal. Esse tipo de proteção deve-se à extrema delicadeza do órgão.

Órgão de Corti – O órgão de Corti, com seus órgãos receptores, imersos na endolinfa, é responsável pelas sensações auditivas e as máculas e cristas ampulares, pela sensação de posição do corpo no espaço, vivem em um permanente equilíbrio pressórico, bioquímico e bioelétrico que se interligam.

Abaixo (detalhe marcado na figura acima), esquema tridimensional de um trecho labirinto membranoso que coloca em evidência as células e as estruturas que compõem o órgão de Corti. A retirada de um pequeno trecho da membrana tectória demonstra como as cabeças dos pilares se engrenam firmemente entre si, assegurando a forma e a estabilidde da galeria de Corti, e como as partes superficiais das células acústicas, com seus pêlos, alternam-se de maneira regular às outras estruturas celulares.

Legenda – 1. membrana de Reissner, 2. membrana tectória, 3. extremidade espiral, 4. sulco espiral interno, 5. fibras nervosas do nervo coclear, 6. célula acústica interna, 7. pilar interno, 8. galeria de Corti, 9. cabeças dos pilares, 10. células acústicas externas, 11. células de Deiters, 12. pilar externo, 13. células de Hensen, 14. células de Claudius, 15 ligamento espiral, 16 estria vascular, 17 falanges das células de Deiters, 18. pêlos acústicos.

As ondas sonoras que entram pelo canal auditivo externo, fazem vibrar o tímpano, movimentando assim a cadeia de ossículos do ouvido médio (martelo, bigorna e estribo) que se estende como uma ponte do tímpano ao ouvido interno. A movimentação dessa cadeia de ossículos, por sua vez, provoca a vibração do líquido contido no invólucro membranoso do ouvido interno estimulando células nervosas especiais aí localizadas. As sensações percebidas por essas células são transformadas em estímulos nervosos e levados, através do nervo vestíbulo-coclear, até o centro da audição do cérebro onde são registrados como sons.

Endolinfa – O equilíbrio pressórico entre a endolinfa e a perilinfa, que mantém esses dois sistemas em equivalência de pressão e que conserva sua anatomia, é fornecido pelo líquido cefalorraquidiano do espaço subaracnóideo, através do aqueduto coclear, sobre o espaço de mesmo nome. Assim, esses dois espaços ficam em equilíbrio pressórico e também com o líquido cefalorraquidiano do espaço subaracnóideo. A compreensão do equilíbrio entre esses três sistemas não só é essencial para o entendimento do funcionamento do ouvido interno, como também explica os acontecimentos de rupturas de membranas e hidropsia endolinfática, como acontece na síndrome de Ménière.

Veja – Audição humana

Referência

Schuknecht HE – pathology of the Ear. 2Ed Philadelphia, Lea & Febiger, 1993.

Cladas N, Caldas Neto s -Surdes súbita In: Ganança MM – Vertigem tem Cura: O que aprendemos nestes últimos 30 anos. São Paulo, Lemos Editorial, 1998.

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