Arquivo de 14/out/2010

Wolff-Parkinson-White – O que é?

Categoria(s): Distúrbios cardiocirculatórios, Distúrbios genéticos


Dicionário

Em 1930, três pesquisadores, Wolff-Parkinson-White descreveram casos de crises de taquicardia com reversão expontânea (taquicardia paroxística) onde o eletrocardiograma mostrava um intervalo PR curto e complexos com um empastamento inicial que recebe o nome de onda delta, que é um dos pontos de diagnóstico para esta síndrome que leva o nome dos pesquisadores (Síndrome de Wolff-Parkinson-White). O intervalo PR é um achado no eletrocardiograma que reflete o início do estímulo cardíaco no nó sinusal, localizado na base de inserção do veia cava superior no átrio direito, até o iníco do estímulo ventricular (início do complexo QRS), passando pelo nó átrio-ventricular (estrutura responsável pela modulação do estímulo cardíaco, com localização entre os átrios e os ventrículos) . Este empastamento do início do complexo QRS,  resultante na onda delta, se deve a passagem do estímulo originário do nó sinual através de um feixe anomalo de condução intra-atrial.

Uma grande maioria de pessoas portadoras destes feixes anômalos passam a vida sem grandes episódios de taquicardia que justifica o exame médico específico, e algumas vezes os achados das alterações eletrocardiográficas característica da síndrome só é detectado em um exame clínico de rotina. Alguns casos os episódios de taquicardia são intensos e com risco de desenvolver arritmias cardíacas complexas com risco de morte.  Este grupo de pacientes pode ser identificado pelo estudo do sistema específico do ritmo cardíaco ( hissiograma do feixe de His) ou pela determinação aproximada do período refratário da via anômala no teste de esforço.


A figura ilustra o feixes do sistema nervoso próprio do coração, responsável pelos estímulos elétricos cardíacos (coloração amarela). Os circuitos anormais estão representados pelas setas brancas. Na parte inferior da figura o traço eletrocardiografico característico com a presença da onda delta.

Referências:

Wolff L, Parkinson T, White PD – Bundle branch block with short PR interval in healthy young people prone to paroxysmal tachycardia. Am Heart J.1930;5:685.

Wolff L, White PD – Syndrome of short PR interval with abnormal QRS complexos and paroxysmal tachycardia. Arch Intern Med,1948;82:446.

Barbero-Marcial M, Sosa E, Pileggi F et al – Tratamento cirúrgico das taquicardias paroxisticas da síndrome de Wolff-Parkinson-White. Arq Bras Cardiol,1982;38:33.

Fantini FA, Sternick EB, Gontijo Fo B et al – Cirurgia para síndrome de Wolff-Parkinson-White no 1 ano de vida. Arq Bras Cardiol.1993;60(4):253-256.

Giardina ACV, Ehlers KH, Engle MA – Wolff-Parkinson-White syndrome in infants and children. A long term follow-up study. Br Heart J. 1972;34:839-846.

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Wolf-Parkinson-White – Como tratar?

Categoria(s): Distúrbios cardiocirculatórios


Tratamento

O tratamento inicial da síndrome de Wolf-Parkinson-White (WPW) é observacional com explicação o que ocorre ao paciente e familiares, afastando a ansiedade que a taquicardia pode provocar. Medidas com respiração profunda e lenta podem reverter os episódios de taquicardia expontâneamente. Caso o episódio leve algum desconforto ao paciente a melhor conduta é ser visto por um médico que realizará um eletrocardiograma e procederá manobras que retirará o paciente da crise. Após alivida a crise o paciente deverá ser estudo para um cardiologista especializado em arritmias que conduzirá o caso.

1. Farmacológico
Estudos com 20 anos de acompanhamento em crianças portadoras de WPW controladas com digital, mostraram o caracter benigno desta patologia na maioria das crianças, embora estudos mais rescentes demonstrem que esse fármaco pode encurtar o período refratário da via anômala e deve, portanto, ser evitado.

2. Cirúrgico

Cobb e col em 1968, tratou cirugicamente com sucesso paciente com síndrome de WPW. A partir de então as cirurgias para os casos com difícil controle clínico passaram a ser utilizadas. De uma forma geral, as indicações para o tratamento cirúrgico incluem insucesso do tratamento fármacológico, intolerância a anti-arrítmicos e presença de fibrilação atrial. Atualmente abordagem cirúrgica, para a ressecção da via anômala, se faz por duas formas a endocárdica, conforme a técnica descrita p[r Ferguson e col, e a via epicárdica descrita por Guiraudon e col. As complicações mais comuns associadas a cirurgia são síndrome pós-pericárdiotomia, disfunção ventricular direita, síndrome de baixo débito, fibrilação atrial e infarto do miocárdio, assim o tratamento cirúrgico não é isento de riscos.

3. Eletrofulguração

Um bom recurso terapêutico para a síndrome de Wolff-Parkinson-White que respondem mau a terapia convencional e a fulguração ou ablação das vias anômalas por radiofreqüência (veja a figura abaixo com eletrodo posicionado na via anômala). A fulguração endocavitária por radiofreqüência é feita por médicos cardiologista especializados em arritmia e nos laboratórias de cateterismos cardíacos. O sucesso da fulguração vária na dependência da localização e das propriedades eletrofisiológicas das vias anômalas. Para tal, e necessário um estudo eletrofisiológico detalhado e o mapeamento minucioso das vias anômalas.

A QUEM PROCURAR – Nas crises emergenciais deve recorrer a um servico de emergência cardiológica. O cardiologista fará o diagnóstico e encaminhará a um médico cardiologista arritmologista, que é especialista no estudo e tratamento das arritmias cardíacas.

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