Arquivo de 17/out/2010

Proteína C Reativa – O que é?

Categoria(s): Distúrbios Inflamatórios, Exames laboratoriais


PROTEÍNA C-REATIVA

Uma lesão tecidual desencadeia uma série de modificações que promovem eliminação do agente agressor (vírus, bactérias, fungos etc), limitação do dano tecidual e restauração da estrutura lesada. Essas modificações dependem do aumento ou da diminuição da concentração sérica de proteínas, conhecidas como biomarcadores inflamatórios, que atuam na resposta inflamatória, localizada ou sistêmica.

Em 1930, pesquisadores descobriram uma proteína que reagia com o polissacarídeo C da cápsula de S. pneumoniae obtida do sangue de pacientes durante a fase aguda de pneumonia pneumocócica. A ela, deram o nome de proteína C-reativa (PCR). A partir de então, estudaram-se as alterações das proteínas plasmáticas em soro de pacientes agudamente enfermos devido a infecções. As proteínas encontradas nessas situações foram denominadas proteínas de fase aguda, e a reação inflamatória – ou resposta do organismo frente à lesão tecidual – resposta de fase aguda.
Posteriormente, verificou-se a presença dessas proteínas após outros estados, como trauma, isquemia, neoplasia e reações de hipersensibilidade. Suas concentrações também se encontravam alteradas em estados inflamatórios crônicos.

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Proteína C Reativa – O que significa?

Categoria(s): Distúrbios Inflamatórios


Proteína C Reativa – O que significa?

A proteina C reativa (PCR) tem funções pró e anti-inflamatórias, promovendo a interação entre imunidades humoral e celular. É produzida no fígado e classificada como pentraxina – um pentâmero com uma fenda ligadora de fosfatidilcolina (dependente de íons cálcio) e outras em face oposta que se ligam ao componente do sistema complemento C1q e à porção Fc de imunoglobulinas. Sua função é ligar-se a patógenos e células lesadas e/ou células apoptóticas (fosfatidilcolina) e iniciar sua eliminação por meio da ativação do sistema complemento e de fagócitos (C1q e Fc). Essas ligações e atrações celulares permitem considerá-la como uma opsonina. Também atua regulando a extensão e a intensidade da reação inflamatória.

A ativação do complemento ocorre pela via clássica, por deposição dos fragmentos de C3 e C4 na PCR e no ligante, formação da C3 convertase clivando o C3 em C3a, uma anafilatoxina que induz a liberação de histamina de basófilos e mastócitos, e C3b, que atua como opsonina, atraindo fagócitos – macrófagos – ao local da inflamação. A ativação não converte C5, ou seja, não há amplificação dos efeitos pró-inflamatórios ou formação do complexo de ataque à membrana diretamente pela PCR. A PCR e a via clássica do complemento atuam em sintonia, promovendo a limpeza de células apoptóticas sem ocasionar lise celular, minimizando a liberação de mediadores que aumentariam a reação inflamatória. É sabido que, na artrite reumatoide (AR), o complemento é ativado pela PCR, especialmente naqueles com maior atividade de doença, porém não está clara a participação da ativação do complemento na manutenção da reação inflamatória e destruição articular.

A interação entre PCR e porção Fc de imunoglobulinas dá-se, em fagócitos, por meio de receptores FcRI (CD64) e FcRIIa (CD32), levando à indução de fagocitose e à secreção de citocinas pró-inflamatórias como interleucina (IL)-1 e fator de necrose tumoral (TNF). Já em neutrófilos, a interação promove down-regulation da inflamação com inibição da resposta quimiotática, clivagem de L-selectina diminuindo a marginação de leucócitos e endocitose de receptores IL-6.

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Proteína C Reativa – Como analisar?

Categoria(s): Distúrbios Inflamatórios, Exames laboratoriais, Infectologia


Proteína C Reativa – Análise laboratorial

A metodologia amplamente utilizada para a determinação da proteína C reativa é a imunonefelometria, que permite a liberação de resultados quantitativos, facilitando a interpretação clínica e permitindo o acompanhamento laboratorial de cada caso.

A proteína C reativa reflete a extensão do processo inflamatório ou da atividade clínica, principalmente em infecções bacterianas (e não virais), reações de hipersensibilidade, isquemia e necrose tecidual. Podem-se encontrar valores discretamente elevados de PCR em obesidade, tabagismo, diabetes, uremia, hipertensão arterial, inatividade física, uso de anticoncepcionais orais, distúrbios do sono, álcool, fadiga crônica, depressão, envelhecimento, doença periodontal, entre outras situações. É também um marcador de aterosclerose, sendo um preditor de infarto do miocárdio, morte súbita ou acidente vascular encefálico e deve ter papel na patogênese da aterogênese. A PCR também é importante como marcador de ativação endotelial e indutor de lesão vascular relacionada à inflamação, em especial em placas de ateroma. Pode ser utilizada como preditor de coronariopatias (angina e infarto do miocárdio), por acelerar o processo de aterosclerose.

A denominação de PCR hipersensível, ou ultrassensível, diz respeito a métodos que possam detectar valores mais baixos (menor do que o percentil 97,5) do que os limites dos métodos usuais (menor do que percentil 90), ou seja, exames mais sensíveis, que já identifiquem alterações inflamatórias em pacientes aparentemente saudáveis ou com fatores de risco conhecidos e permitam estimar o risco cardiovascular. Em pacientes com Artrite Reumatóide e lúpus eritematoso sistêmico (LES), a inflamação persistente, demonstrada por dosagens sequenciais de PCR, implica morbidade e mortalidade cardiovascular precoce.

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