Arquivo de 21/out/2010

Desnutrição nos idosos – O que é?

Categoria(s): Cuidados alimentares, Cuidados preventivos, Dicionário, Distúrbios digestivos


Dicionário

Desnutrição nos idosos

No envelhecimento normal ocorrem aumento do tecido adiposo, redução da massa muscular, redução da água corporal total, perda de paladar e olfato, diminuição na produção de pepsina e do ácido clorídrico, com conseqüente diminuição na ingestão de alimentos. A desnutrição protéico-calórica (DPC) é distúrbio nutricional mais importante observado nos idosos e está associada ao aumento da mortalidade e infecções, com redução da qualidade de vida. Entretanto, a DPC é  freqüentemente ignorada porque é erroneamente vista como parte do processo normal de envelhecimento.

A alimentação é um aspecto importante nesta faixa etária, pois os efeitos do avanço da idade, como as mudanças na composição corporal e no sistema orgânico, alteram os requerimentos nutricionais desta população. A maioria dos idosos conserva os hábitos de alimentação formados quando ainda eram mais jovens. É comum encontrarmos idosos desnutridos em nosso meio, especialmente em instituições asilares e em hospitais. Deve-se destacar que na terceira idade é comum a prescrição de dieta para determinada doença que passa a ficar incorporada a vida da pessoa. O hábito de consumir com muita freqüência “chá com torradas” provoca situação vulnerável a inúmeras deficiências alimentares.

Motivos da desnutrição:
Falta de informações sobre uma nutrição adequada
Limitações financeiras
Incapacidade física, que interferem com a compra e preparo de alimentos
Isolamento social
Anorexia (falta de apetite)
Má absorção provocada por doença gastrointestinal.
O uso à longo prazo de certos medicamentos
Cáries dentárias e falta de dentes levando dificuldade em mastigar
Intolerância a lactose

Tags: , ,


Veja Também:

Comentários     Envio por Email Envio por Email


Desnutrição nos idosos – Quais os fatores que causam?

Categoria(s): Cuidados alimentares, Distúrbios digestivos, Distúrbios Iatrogênicos


Etiologia

A desnutrição no idoso é causa e conseqüência de inúmeros fatores, que funcionam como um círculo vicioso. Exemplo, a perda de dentes leva a desnutrição e, a desnutrição causa mais cáries e mais perda de dentes. A nutrição depende de fatores sócio-econômico culturais, fisiopatológicos, psicológicos e cognitivos. O idoso necessita adaptar seu hábito alimentar a sua nova condição imposta pela idade, ou seja, ele deve se alimentar, não de mesma forma que o fazia quando moço, porém, modificando o seu cardápio para alimentos funcionais, que contenham substâncias com propriedades nutritivas e mesmo terapêuticas e, pouco para alimentos hipercalóricos (chocolates, bolos, refrigerantes, etc).

Fatores sócio-econômicas e culturais – Entende-se como fatores sócio-econômicas e culturais, a aposentadoria com o declínio da sociabilização, gerando o isolamento que prejudica o acesso a obtenção de alimentos e, a nova composição familiar (familias menores, e muitas vezes com filhos desempregados) onde o idoso é o provedor financeiro que vê os seus parcos rendimentos sendo usados para manter despesas diversas da família, em prejuízo da aquisição de alimentos e até medicamentos necessários para a sua saúde.

Fatores fisiopatológicas – A desnutrição pode ser decorrente de fatores fisiopatológicas causados pela idade ou por doenças devem ser rapidamente reconhecidos e tratados revertendo o quadro de desnutrição do idoso. Fazem parte desse descontrole as alterações gastrointestinais; como a gastrite atrófica, a hipocloridria (diminuição do ácido clorídrico) e diminuição do fator intrínseco, que pode ocorrer em 20% dos casos, resultando em má absorção de cálcio, vitamina B12 e ferro; a fibrose e atrofia das glândulas salivares, a perda de dentes, atrofia de papilas gustatórias, a diminuição da sensibilidade de receptores associados ao controle da sede e conseqüentemente, menor ingestão de água (hipodipsia) que leva á desidratação.

Fatores iatrogênicos – Um classe especial de fatores fisiopatológicos é a provocada pela iatrogenia, onde diversos fármacos interferem negativamente na nutrição das pessoas, em especial dos idosos. O uso de múltiplos medicamentos podem influenciar a ingestão, a digestão, a absorção, o metabolismo e a excreção de nutrientes. Inúmeros são os exemplos das interferências medicamentos na nutrição, como, os antiácidos diminuindo a absorção de ferro, cálcio e vitamina B 12, as resinas ligadoras de colesterol ou óleo mineral podem induzir a má absorção de vitamina A, D, E e K.

Fatores psicológicos – Os fatores psicológicos aparecem de forma insidiosa até atingir proporções, cuja único tratamento é mediante internações e alimentação enteral. A perda do conjuge pode causar a anorexia relacionada com a depressão. O alcoolismo associado ao isolamento, leva a desnutrição inaparente, onde desta as deficiências de tiamina, folato e magnésio. Alguns autores, chamam a este estado metabólico de desnutrição oculta.

Fatores cognitivos – Os fatores cognitivos, são representados pela deterioração da função cognitiva, como acontece no mal de Alzheimer e doença de Parkinson, resultando em inabilidade para obtenção do alimento, esquecimento ou incapacidade de se alimentar.

A má nutrição no idoso causa repercussões em muitos orgãos e sistemas do corpo humano, levando a um declínio da capacidade funcional, causado pela atrofia muscular (sarcopenia) e disfunção em orgãos vitais como os pulmões, coração e rins. A baixa taxa de metabolísmo, diminui a produção de proteínas especialmente albumina, globulinas, enzimas, neurotransmissores, hormônios. Com isso, pode ocorrer insuficiência cardíaca (Beri-beri cardíaco), diabetes, deficiência imunológica e hematológica, expondo o idoso a infecções graves e até fatais.


Referência:

Marchini JS, Ferriolli E, Moriguti JC – Suporte nutricional ao paciente idoso: Definição, Diagnóstico, Avaliação e Intervenção. Medicina, Ribeirão Preto, 31:54-61 Jan-Mar 1998.

Tags: , , ,


Veja Também:

Comentários     Envio por Email Envio por Email


Desnutrição nos idosos – Como avaliar?

Categoria(s): Cuidados alimentares, Distúrbios metabólicos


Método de avaliação

Avaliação nutricional

A avaliação do estado nutricional é fundamental para a identificação daqueles pacientes sob risco nutricional, bem como a base para se definir a melhor conduta dietética a ser adotada. Os componentes essenciais da avaliação podem ser agrupados em: história dietética, medidas antropométricas, avaliação bioquímica e exame físico nutricional. Estes quatro componentes, permitirão o desenvolvimento de um plano terapêutico nutricional efetivo, apropriado e individualizado. Entretanto, nenhum dos quatro componentes isoladamente é definitivo; um resultado sem o outro não nos daria a uma informação completa da situação do nutricional da pessoa. É necessário um estudo minucioso e seletivo de todos os parâmetros disponíveis para não incorrer em diagnósticos errôneos.

Mini Avaliação Nutricional – MAN

Mini Avaliação Nutricional – MAN é um instrumento específico que permite que o risco de desnutrição seja identificado em idosos, antes mesmo que as alterações clínicas se manifestem. É composta de 18 itens agrupados em 4 categorias: antropometria (peso, altura e perda de peso), cuidados gerais (estilo de vida, uso de medicação e mobilidade), dieta (número de refeições, ingestão de alimentos e líquidos) e autonomia para comer e visão pessoal. A aplicação deste teste é feito pela nutricionista.

Outros aspectos relacionados que deverão ser verificados incluem :
– capacidade física para ingestão de alimentos;
– história dietética anterior ou modificações realizadas;
– mudanças ponderais recentes;
– intolerâncias alimentares;
– possível interação droga-nutriente;
– presença de transtornos alimentares
– outras alterações, como dispepsia, constipação intestinal, etc.

Indicadores bioquímicos de desnutrição –  Anemia, deficiência de vitaminas, baixos níveis de pré-albumina, albumina, transferrina, colesterol e baixa contagem de linfócitos.

Considera-se desnutrido grave os pacientes que apresentem albumina sanguínea menor que 2,5 mg/dL, linfócitos menor que 1800/mm3 e perda involuntária de peso corporal maior que 20%

A QUEM CONSULTA – A avaliação nutricional deve ser feita pela nutricionista que orientará ao paciente, familiares e profissionais da saúde como conduzir o caso.

Tags: , , , ,


Veja Também:

Comentários     Envio por Email Envio por Email