Arquivo de 23/out/2010

Doença de Parkinson – O que é?

Categoria(s): Direitos, Distúrbios neurológicos


Dicionário

A doença de Parkinson (DP) é a segunda doença neurodegenerativa mais comum, a primeira é a doenca de Alzheimer, cuja prevalência aumenta com a idade, atingindo 1 em cada 100 pessoas com idade acima de 75 anos. Com o aumento da expectativa de vida, estima-se que em 2020 mais de 40 milhões de pessoas no mundo sejam portadoras de DP. Segundo a Organização Mundial da Saúde, atualmente, cerca de 4 milhões de pessoas em todo mundo sofrem da doença de Parkinson. No Brasil, estimativas da Associação Brasileira de Parkinson (ABP), mostram que cerca de 200 mil pessoas tenham a doença e que, ano a ano, vinte novos casos são diagnosticados para cada 100.000 pessoas.

Essa doença se caracteriza por tremores, rigidez muscular, diminuição da mobilidade e alterações posturais. O comprometimento da memória, a depressão, alterações no sono e distúrbios do sistema nervoso autônomo também fazem parte do quadro clínico dessa doença.

A doença de Parkinson é uma afecção degenerativa do sistema nervoso central que progride lentamente em uma condição crônica. Essa doença não tem causa conhecida, porém, atualmente, acredita-se que fatores genéticos e ambientais podem contribuir para seu aparecimento. Se desenvolve principalmente pela perda de neurônios de uma área específica do cérebro (pars compactada substância negra mesencefálica), diminuindo a produção da dopamina e alterando os movimentos chamados extrapiramidais (não voluntários). Os sintomas da DP costumam ter início insidioso, e diferir de pessoa para pessoa. Os primeiros sinais da doença são os tremores ou a perda da mímica facial associados a diminuição do piscar, olhar fixo e lentidão de movimentos. A voz pode se tornar monótona, a pele, principalmente a facial, fica lustrosa e seborréica. Ele ainda lembra que a marcha fica cada vez mais lenta e difícil, aumentando a freqüência de quedas e fraturas. Outra característica postural é que os braços ficam encolhidos e o tronco inclinado. Em casos avançados, pode haver um aumento na velocidade da marcha para não cair (festinação) ou então o paciente pode ficar parado (congelado) com dificuldade de iniciar um movimento. São considerados sinsis principais da doença, que fecham o diagnóstico clinico o tremor de repouso, rigidez nos movimentos, bradicinesia (movimentos lentos) e instabilidade postural.

Um caso recente e famoso desta doença foi o do Papa João Paulo II, que mostrou a todos a evolução do quadro de uma pessoa com Parkinson. As conseqüências da doença podem ser tão desastrosas quanto a doença em si. Como no caso do Papa, a dificuldade de expectorar pode causar as broncopneumonias, levando às infecções e conseqüentemente à morte. Outros casos conhecidos de Parkinson são do o ex-atleta Muhammad Ali e do ator Michael J. Fox.

Parkinsonismo – Alguns  medicamentos (fenotiazinas, haloperidol, reserpina, lítio, cinarizinas, flunarizina), intoxicação por monóxido de carbono ou manganês, infartos cerebrais dos gânglios de base, hidrocefalia, traumatismos cranioencefálicos e encefalites podem ser a causa dos sintomas e sinais semelhantes a DP e que recebe o nome de Parkinsonismo.

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Doença de Parkinson – Aspectos clínicos

Categoria(s): Distúrbios neurológicos


Aspectos clínicos

Sinais da DP – Os sinais mais freqüentes são: tremores de repouso, diminuição da velocidade dos movimentos (bradicinesia), rigidez e comprometimento dos reflexos posturais; marchas com passos pequenos, dificuldades para se levantar da cama ou cadeira, fácies inexpressivas, dificuldades para falar, engolir, salivação abundante (sialorréia), engasgos, intestino lento, hipotensão postural e déficit cognitivo.

A doença de Parkinson (DP), doença degenerativa do sistema nervoso central, ocasionada pela perda de neurônios dopaminérgicos na substância negra pars compacta do cérebro, sem etiologia definida, tem seu diagnóstico feito como na época de seu descobridor Dr James Parkinson, ou seja, através da história clínica, exame físico geral e neurológico, em 1817 . Este fato, retarda o início do tratamento, pois muitas vezes, chega ao neurologista nas fases intermediárias e avançadas da doença. parkinEsta doença tem um curso médio de 15 anos após o diagnóstico, dai a importância do diagnóstico precoce e início do tratamento, mudando a evolução da doença.

Discinesia – A discinesia se caracterizam por movimentos anormais e involuntários que podem estar presentes durante boa parte das horas de vigília de uma pessoa com DP. Os tipos de flutuação motora (discinesias) mais comuns das complicações do tratamento da DP com a levodopa são a “deterioração-de-final-de-dose” (wearing-off) e as flutuações aleatórias, também conhecidas como “fenômeno on-off”.

A deterioração-de-final-de-dose está associada ao perfil farmacocinético da droga (com o uso da levodopa em intervalos regulares, a concentração da droga cai entre a final da dose e o começo da ação da dose seguinte, com isso os neurônios dopaminérgicos são estimulados de forma intermitentes). O “fenômeno on-off”, também é conhecido como efeito ioiô. Neste fenômeno ocorre uma mudança brusca do estado de mobilidade do paciente sem que haja uma relação com o horário de tomada das doses da levodopa. Em alguns pacientes, à medida que a doença progride o estado on pode ser tão curto quanto 30 ou 40 minutos. Quando o wearing-off se instala, a tendência natural em acrescentar novas doses de levodopa não é a melhor medida, pois cada vez mais novos acréscimos terão de ser feitos com o tempo, fazendo com que o indivíduo venha a tomar uma dosagem inviável de levodopa em pouco tempo.

A melhor estratégia para evitar a estimulação intermitente dos neurônios pela levodopa, é estabelecer uma estimulação dopaminérgica o menos descontínua possível, com a ajuda de medicamentos que mantêm uma maior concentração de dopamina circulante, como os inibidores da catecol-O-metil-transferase (COMT), a entacapona e a tolcapona. A combinação dos fármacos facilitam a vida do paciente, uma vez que a administração pode ser de 1 vez ao dia, permitindo uma concentração sangüínea estável. (Formulação indicada: 50 mg de levodopa + 12,5 mg de carbidopa + 200 mg de entacapona).

Referências:

Ferraz HB, Borge V – Doença de Parkinson Rev. Bras. Med. 2004: 59(4):207-219.

Siderowf, A; Stem, M. Update on Parkinson disease. Annals of Internal Medicine 2003; 138 (8):651-658.

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Doença de Parkinson – Como tratar?

Categoria(s): Medicamentos


Tratamento

Sinais da DP – Os sinais mais freqüentes são: tremores de repouso, diminuição da velocidade dos movimentos (bradicinesia), rigidez e comprometimento dos reflexos posturais; marchas com passos pequenos, dificuldades para se levantar da cama ou cadeira, fácies inexpressivas, dificuldades para falar, engolir, salivação abundante (sialorréia), engasgos, intestino lento, hipotensão postural e déficit cognitivo.

O tratamento da Doença de Parkinson (DP) é direcionado de acordo com a fase clínica em que doença se encontra. Logo no início, não há necessidade de medicamentos, devendo o paciente ser orientado à praticar de exercícios sob a orientação de um profissional de educação física, ter uma alimentação orientada por nutricionista, fonoaudióloga (previnindo distúrbios da fala e deglutição) e prática laboral com orientação de um terapeuta ocupacional. Nesta fase, os vários profissionais da área da saúde, trabalhando em conjunto retardam a progressão da doença.

Quando os sintomas passam a interferir nas atividades da vida diária do paciente, podem ser prescritos medicamentos como selerginina, amantadina, agonistas dopaminérgicos e anticolinérgicos. Porém, ainda é a levodopa a droga de primeira escolha, por ser mais potente, de ação rápida e que oferece melhor qualidade de vida aos pacientes.

Anticolinérgicos – os anticolinérgicos foram utilizados empiricamente na DP desde há longa data e sua atuação hoje pode ser explicada pela preponderância de acetilcolina observada no estriado dos pacientes com diminuição da neurotransmissão dopaminérgica a partir da substância negra. Estas drogas são razoavelmente eficazes sobre o tremor e a rigidez muscular, mas a atuação sobre a acinesia, que é o sintoma mais debilitante da DP, é desprezível. Reservamos os anticolinérgicos para aqueles pacientes com formas unilaterais ou predominantemente assimétricas e nos quais a acinesia não é significativa.

Agonistas da dopamina – Os agonistas DA atuam diretamente nos receptores da dopamina. Há duas famílias de receptores DA: os receptores D1, estimuladores da enzima adenil ciclase e os receptores D2, indutores de inibição da adenil ciclase. Os agonistas mais utilizados são a bromocriptina, a pergolida e mais recentemente o pramipexol. Os agonistas são drogas mais potentes que os anticolinérgicos e a amantadina (mas menos que a levodopa) e costumam ser reservados para aqueles pacientes um pouco mais sintomáticos.

Terapias gênicas

O número de genes da DP tem aumentado rapidamente. Muitos genes têm sido descritos em famílias específicas. A ênfase atual das bases genéticas da DP objetiva desvendar a etiologia da doença, contribuindo para a terapia. Os estudos indicam que há novas perspectivas para o tratamento da DP com base nos conhecimentos adquiridos com a genética. A transferência de células embrionárias pode ajudar a melhorar a qualidade de vida dos afetados pela DP e a terapia gênica já tem sido testada em seres humanos.

Discinesia – A discinesia se caracterizam por movimentos anormais e involuntários que podem estar presentes durante boa parte das horas de vigília de uma pessoa com DP.

Referências:

Ferraz HB, Borge V – Doença de Parkinson Rev. Bras. Med. 2004: 59(4):207-219.

Siderowf, A; Stem, M. Update on Parkinson disease. Annals of Internal Medicine 2003; 138 (8):651-658.

Ribeiro EM, Dantas CCB,Medeiros ACC, Arruda AP, Carvalho MDF.Bases genéticas da doença de Parkinson. Rev Bras Med 2004;61(6):388-398.

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