Dor na região posterior do joelho – O que pode ser?

Categoria(s): Distúrbios Inflamatórios, Distúrbios osteoarticulares

Interpretação clínica

A dor e o aumento do volume na parte posterior do joelho pode ser causada pelo cisto de Baker. A causa exata do cisto de Baker ainda é desconhecida. Entretanto, o cisto pode ocorrer quando a produção de fluído está aumentada, como no caso de artrite ou após uma lesão. Os cistos poplíteos (cistos de Baker) se desenvolvem quando uma pressão intra-articular excessiva causa herniação posterior (veja figura), muitas vezes com formação de efeito de válvula de via única, no qual o líquido que é forçado para dentro do cisto não pode voltar ao espaço articular. Quando há aumento de volume da quantidade de líquido do cisto, a dor é mais freqüente e ocorre principalmente à extensão ou flexão do joelho.

Para se verificar a existência do cisto a região poplítea deve ser palpada com a pessoa de pé. Em alguns casos, o cisto podem romper com distensão da panturrilha, edema difuso, dor, sensação de água escorrendo na perna e, algumas vezes, eritema e edema do tornozelo, mimetizando um quadro de tromboflebite. Nesses casos, a artrografia pode fazer o diagnóstico diferencial ou, se necessário, doppler venoso.

cisto-de-baker

Diagnóstico diferencial - Nos casos de aumento doloroso da região posterior do joelho (região poplítea) devemos diferenciar tromboflebite. É importante o diagnóstico correto, pois o uso anticoagulante pode ocasionar sangramento excessivo no músculo da pantorrilha e tecidos adjacentes piorando os casos de cisto poplíteo. A ultrassonografia é a melhor e menos dispendiosa técnica para mostrar um cisto poplíteo e sua rutura ou extensão para a perna. Também pode identificar a trombose venosa profunda, por tanto esse exame dever feito antes de planejar qualquer tratamento. A associação entre tromboflebite e ruptura é extremamente rara.

Tratamento

O desconforto inicial, causado pelo cisto de Baker, pode ser tratado com uma faixa elástica. No tratamento pode-se utilizar medicamento antiinflamatório e drenagem do cisto. Algumas vezes o cisto desaparece sozinho. Se o cisto não causar incômodo, não há necessidade de tratamento. Raramente a sinovectomia (abertura cirúrgica da sinóvia) é necessária para cistos recorrentes. A excisão cirúrgica do cisto poplíteo geralmente não é indicada, por ter alta recorrência.

Referências:

Kraag G, Thevathasan EM, Gordon DA, Walker IH – The hemorrhagic crescent sign of acute synovial rupture [letter]. Ann Intern Med 1976;85:477-478.
Hench PK, Reid RT, Reames PM – Dissecting popliteal cyst simulating thrombophebitis. Ann Intern Med 1966;64:1259-1264.

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