Calazar: Leishmaniose visceral – Quais os sintomas?

Categoria(s): Infectologia, Infestações por protozoários

Sintomatologia

Numa região onde a leishmaniose é endêmica, o número de infectados assintomáticos pode ser de até 18 para cada indivíduo doente, sendo que estes casos podem ser autolimitados e não ocorrer a manifestação da doença.

O período de incubação da doença é de 3 a 18 meses. A doença instala-se de modo insidioso, com febre prolongada, irregular, e sintomas inespecíficos. Em dois a seis meses, progride para a sua feição clássica: um paciente caquetizado, com cabelos quebradiços, cílios alongados, pele seca de cor cérea, com abdome protuso às custa de enorme hepatoesplenomegalia (foto). Freqüentemente ocorre diarréia e tosse no calazar.

Alterações sangüíneas – Com a evolução da doença surgem os efeitos da invasão da medula óssea pelo parasita e consequente falta de produção dos globulos vermelhos (hemáceas), dos glóbulos brancos (leucócitos) e das plaquetas: Como consequencia surge insuficiência cardíaca por anemia grave, infecções bacterianas por baixa imunidade e sangramentos por falta das plaquetas (plaquetopenia), que são os elementos sanguineos responsáveis pela coagulação do sangue.A diminuição de todos os elementos figurados do sangue (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas) recebe o nome de pancitopenia.

As globulinas séricas que são produzidas pelo linfócitos e plasmócitos estão muito elevadas. A hemossedimentação (VHS) elevada. Eosinófilos ausentes.

1. Infecções subclínicas. Pelo menos 30% dos adultos de uma área endêmica tem leishmanina positiva.

2. Formas incaracterísticas oligossintomáticas. Febrícula, tosse seca, diarréia, adinamia, baço impalpável e fígado pouco aumentado. Um terço evolui para o calazar clássico, especialmente na presença de desnutrição.

3. Formas agudas. Forma aguda disentérica. Febre alta, tosse e diarréia acentuadas. Não há visceromegalias.

4. Calazar clássico. O período de incubação é impreciso, e varia de dois a oito meses. Desnutrição proteico calórica, edemas, cor escura da pele (negra na Índia, parda (cor de cera velha) na América). Há caquexia (desnutrição grave), mas o apetite está preservado. Palidez, cílios alongados, cabelos secos e quebradiços, figado e baço enormes, mas não dolorosos. E também artralgias, epistaxes (sangramento nasal), gengivorragias, cansaço, anemia intensa (mas de instalação lenta, permitindo ao paciente suportar taxas de hemoglobina de 5 ou 6g%), pancitopenias, hiperproteinemias. O óbito se dá geralmente por infecção bacteriana, instalada num indivíduo já caquético e consumido.

Diagnóstico diferencial deve ser feito com a malária, esquistossomose, febre tifóide, salmonelose septicêmica prolongada, histoplasmose, mononucleose infecciosa, doenças hematológicas.

Referência:

Pearson, R.D., Sousa, A.Q., Jeronimo, S.M.B. Leishmania species: Visceral (Kala-Azar), Cutaneous, and Mucosal Leishmaniasis. In: Mandell, G.L., Bennett, J.E., Dolin, R.D. Mandell, Douglas and Bennett’s Principles and Practice of Infectious Diseases, 5th ed., Philadelphia, Churchill-Livingstone, 2000.

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