Drenagem anômala das veias pulmonares – O que é?

Categoria(s): Dicionário, Distúrbios cardiocirculatórios, Emergências, Tratamento cirúrgico

Cardiopatia congênita

DRENAGEM ANÔMALA TOTAL DAS VEIAS PULMONARES

As veias pulmonares podem, ocasionalmente conectar-se fora do átrio esquerdo, quer seja em veias sistêmicas ou no próprio coração. A chamada conexão anômala total bilateral de veias pulmonares, situação em que todas as veias de ambos os pulmões drenam anômalamente, pode ser classificada de acordo com o sitio de conexão em 4 tipos: conforme o local de desembocadura das veias: a) supracardíaco; b) cardíaco; c) infracardíaco; d) misto.

Do ponto de vista fisiopatológico, não há uma comunicação direta entre as veias pulmonares e o átrio esquerdo, ocorrendo um mistura entre os retornos venosos sistêmicos e pulmonares no átrio direito, sendo necessária uma comunicação entre o átrio direito e o átrio esquerdo, para permitir que o sangue atinja o território sistêmico.

Em todas as formas de conexão anômala existe uma veia pulmonar comum ou veia horizontal, situada atrás do coração.

Na forma supracardíaca, que é a mais comum, o sangue chega a veia cava superior através de três caminhos possíveis: a) por uma veia vertical ascendente; b) por uma veia anômala que drena diretamente na veia cava superior; c) por uma veia anômala, que drena no sistema azigos.

Na forma cardíaca a conexão e feita diretamente da veia horizontal ao seio coronário, ou ainda diretamente ao átrio direito.

Na forma infracardíaca ocorre uma veia vertical descendente, que atravessa o diafragma, conectando-se ao sistema venoso portal hepático ou a própria veia cava inferior, através do remanescente do ductus venosus de Arantius. Na forma mista as drenagens por ser de vários tipos.

Associado a conexão anômala total das veias pulmonares pode ocorrer obstruções ao nível dos diferentes canais de drenagens venosas, muitas vezes dificultando a correção cirúrgica.

Clinicamente o grau de cianose e da insuficiência cardíaca depende da presença de obstrução e da passagem de uma ampla comunicação interatrial.

Radiológicamente pode-se encontrar formas características nas conexões anômalas, com a imagem cardíaca em forma de “boneco de neve” ou em “8″, nas conexões supracardíacas, aspecto de um “cimitara” ou importante congestão venocapilar.

O eletrocardiograma revela qR em v1, ou seja, morfologia de sobrecarga de câmaras direitas.

O ecocardiograma e o estudo hemodinâmico e auxiliar diagnóstico e terapêutico nos casos de comunicação inter atrial pequena, que necessita de septostomia atrial com balão de Rashkind/Muller.

TRATAMENTO – O tratamento definitivo é cirúrgico.

Referência:

Gathman G, Nadas A – Total anomalous pulmonary venous connection: Clínical and physiológic observation of 75 pediatric patients. Circulation 1970;42:143-154.

Chin AL, Sanders SP, Sherman F – Accuracy of subcostal two dimensional echocardiography in prospective diagnosis of total anomalus pulmonary venosus connection. Am Heart J, 1987;113:1153.

Aiello VD – Aspectos anatômicos das cardiopatias congênitas cianogênicas. RSCESP,1993;3(1):29-36.

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