Arquivo de Distúrbios Iatrogênicos

Medicamentos – O que pode melhorar ou prejudicar sua ação?

Categoria(s): Distúrbios Iatrogênicos, Medicamentos


Entendendo

prescrevendo

O objetivo final da prática médica é a boa terapia, neste sentido o conhecimento, por parte do médico e profissionais da área da saúde, de todas as etapas que o medicamento passa pelo organismo humano é fundamental.

1. pH do estomago – Os medicamentos podem ter seu comportamento alterados se expostos a pH gástrico alterado, ou a administração concomitante de álcool, que pode afetar a integridade do “revestimento” do comprimido ou cápsula e acelerar a liberação do fármaco.

2. Trânsito intestinal – Outro fator a ser considerado na absorção do medicamento é a velocidade do trânsito intestinal, podendo prolongar ou abreviar o tempo de contato com as células intestinais (enterócitos) do jejuno.

3. Barreira a absorção intestinal – Nos enterócitos, as glicoproteínas P funcionam como uma barreira que devolve as drogas ao lúmen gastrointestinal, e aumentam seu tempo de exposição a ação das enzimas P450, que atuam como uma segunda barreira a absorção.

4. Lipossolubilidade – A afinidade por lípides (gorduras) confere à facilidade em atravessar barreiras biológicas (substâncias lipossolúveis). Embora esta característica possa parecer positiva, por facilitar o deslocamento até os alvos, em alguns casos a afinidade excessiva pode facilitar a remoção do medicamento do órgão alvo, e redução de seus efeitos farmacológicos.

5. Hidrossolubilidade – A afinidade do medicamento pela água (hidrossolúvel) tem efeito inverso dos lipossolúveis: dificulta a travessia de barreiras (membranas) biológicas e facilita a excreção.

6. Deficiência protêica – As proteínas plasmáticas (especialmente albumina) funcionam como reservatório e transportadoras de drogas no plasma. Apenas a fração livre, não ligada a estas proteínas, é capaz de atingir os alvos para ação. Este fato, nos mostra, que os idosos desnutridos, com doenças (cardíaca, renais, hepáticas, pulmonares) em fase avançada, e neoplasias terminais, com baixo valor de proteína plasmática, necessita ter a dose do medicamento ajustada (diminuída) para se obter o mesmo resultado terapêutico. Pois, se tivermos, poucas proteínas plasmáticas, teremos mais fração livre do medicamento, expondo estes pacientes a nível tóxico do medicamento.

7. Alta ligação às proteínas – Um medicamento que tenha alta ligação as proteinas plasmáticas, tem baixa disponibilidade. Exemplo, a sertralina (anti-depressivo), possui 98% de ligação as proteinas, deixando somente 2% da droga na forma livre. Ou seja, de cada 100 mg de sertralina absorvida, apenas 2 mg são eficazmente ativa.

8. Deficiência circulatória – As cardiopatia e a aterosclerose dificultam a distribuição do fármaco no corpo.

9. Eliminação – A grande maioria dos fármacos tem eliminação renal, porém, existem eliminação, pelo trato gastrointestinal, pelos pulmões e pelas secreções da pele (sudorese). O conhecimento da vida média das substâncias, especialmente, com ação no sistema cardiocirculatório é fundamental. Os fármacos com vida médica curta atingem o estado de equilíbrio rapidamente e podem ser mais facilmente interrompidos, ex. diuréticos. Os medicamentos de vida média longa, tem maior possibilidade de acumular no organismo e causar intoxicações, Ex. digital.

10. Polifarmácia – O uso de diversos medicamentos simultâneamente pode interferir negativamente na ação dos mesmo.

11. Ritmo circadiano – O estudo do ciclo do dia/noite (ritmo circadiano) tem mostrado que determinados medicamentos tem melhor efeito se tomados  pela manhã, outros no final do dia, etc. Esta nova ciência, a cronofarmácia, certamente mostrará aos médicos os melhores horários da administração do medicamento.

Referências:

Allevato M – O tratamento de Polimedicados. XXIV Congresso Brasileiro de Psiquiatria- Out 2006. Curitiba, PR.

Beers MH – Explicit criteria for determining potentially inappropriate medication use by the elderly. Arch intern Med 157:1531-1536,1997.

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Infecção hospitalar – Esta ocorrendo aumento de casos?

Categoria(s): Cuidados preventivos, Direitos, Distúrbios Iatrogênicos, Infectologia, Programas de saúde


Estatística

bacilos

Sim, está ocorrendo um aumento da prevalência da infecção hospitalar, e isso deve-se a dois fatores fundamentais, primeiro o avanço tecno-científico, com a disseminação do suporte de avançado de assistência à vida (UTI móveis, UTI domiciliares, etc), a realização de grandes cirurgias (politraumas), o freqüente uso de drogas imunossupressoras e antibióticos de amplo espectro, nos pacientes oncológicos e transplantados; segundo o perfil dos pacientes assistidos, idosos e longevos portadores de desnutrição, múltiplas patologias e imunossenescência (deficiência imunológica decorrente da idade).

Referências:

Medeiros EAS – Prevenção da infecção hospitalar. Projeto Diretrizes – Sociedade Brasileira de Infectologia, AMB, CFM, [ on line]

Infecção Hospitalar e suas interfaces na área da saúde [on line]

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Osteoporose – Quais os medicamentos que podem provocar?

Categoria(s): Distúrbios Iatrogênicos, Distúrbios Inflamatórios, Distúrbios metabólicos, Distúrbios osteoarticulares


Etiologia

Os medicamentos que usados por longo período pode provocar osteoporose são:

  • Corticosteróides
  • Heparina
  • Anticonvulsivantes
  • Intoxicação por Cádmio
  • Intoxicação por Lítio
  • Retinóides
  • Tireoxina
  • Prostaciclinas
  • Morfina e agonistas
  • Antiácidos
  • Imunossupressores

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