Arquivo de Infectologia

Sífilis, HPV, Herpes genital – Sexualidade e DST

Categoria(s): Espiroquetas, Infecções virais, Infectologia, Sexualidade e DST


Sexualidade

Saiba como se proteger das doenças sexualmente transmitidas (DST) conhecendo-as. Visite as páginas sobre o tema acessando a barra de comando Sexualidade no topo do site.

Sífilis é uma doença infecciosa, transmitida sexual, que foi muito frequente no passado, perdeu um pouco a importância com o tempo, mas atualmente está voltando a preocupar, porque vem infectando um número cada vez maior de pessoas. É também conhecida como lues ou cancro duro, é resultante da infecção pela espiroqueta microaerofílica Treponema pallidum. O T pallidum, sendo muito fino para ser visualizado por corantes convencionais, como o corante Gram, so pode ser visto por corantes a base de prata, exame de campo escuro e técnica de imunofluorescência.


HPV Human Papillomavirus – O papilomavírus humano pode infectar o trato genital de forma assintomática ou visível como verruga na região anogenital. Inicialmente, esta era a única apresentação clínica reconhecida e incomodava pelo aspecto estético, volume e dificuldade no tratamento. Houve mudança radical na condução das verrugas anogenitais quando se descobriu que poderiam sofrer transformação maligna e associar-se a neoplasia intra-epitelial e câncer de colo uterino e talvez do pênis. Esta doença sexualmente transmitida – DST é altamente prevalente (30% a 50%) em grupos sexualmente ativos. O aparecimento das verrugas ocorrem após o período de incubação do vírus, podendo variar de três semanas a oito meses.

Verruga anogenital

O condiloma acuminado ou “crista de galo”, apresenta-se como crescimento verrucoso róseo, indolor, com aspecto de couve-flor, em genitais, região perianal e bucal ou uretra. Apresenta cor branco-acinzentada em pele queratinizada ou vermelho-rosada em área mucosa. Surge em áreas submetidas a trauma durante a relação sexual no homem não circuncidado e é prevalente na face interna do prepúcio, no frênulo prepucial e no sulco coronal. Corpo peniano, glande e fossa navicular uretral são acometidos em menor freqüência. O meato uretral pode ser atingido em 10% a 28% dos casos. As verrugas genitais são assintomáticas, surgindo em áreas úmidas e quentes, como lesão única ou múltiplas de tamanho variável, nas regiões anogenital e bucal.

Os médicos ginecologistas ao diagnosticar infecção pelo HPV e suas clientes devem encaminhar os seus parceiros para uma consulta com médico infectologista ou urologista.


O herpes genital é uma infecção pelo Herpesvirus hominis (sorotipos 1 e 2). No herpes genital surgem vesículas com base inflamatória, que se rompem, ulceram e se tornam cobertas com exsudato branco-acinzentado. Os sintomas locais são dor, disúria, ardor, formigamento e prurido. A infecção primária tem o quadro clínico mais intenso que o herpes recorrente. As manifestações sistêmicas como febre, mal-estar, anorexia e linfadenopatia inguinal bilateral podem ocorrer. A evolução é autolimitada e dura até três semanas. A infecção recorrente apresenta-se mais branda e sem sintomas gerais, mas pode associar-se aos sintomas iniciais no local do surgimento das lesões: prurido, formigamento, dor ou queimação. O quadro clínico se resolve em oito a dez dias.

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Calazar: Leishmaniose visceral – O que é?

Categoria(s): Infectologia, Infestações por protozoários


Dicionário

Leishmaniose é um grupo de doenças causadas por protozoários do gênero Leishmania: o calazar (causado pela L. donovani), é a forma grave da moléstia, se não for tratada, pode levar à morte. A sua incidência no Brasil é elevada.

Na leishmaniose tegumentar (causada pela L. brasiliensis), os protozoários localizam-se na pele e mucosa, causando profundas ulcerações, geralmente em regiões expostas do corpo, como face e membros. É freqüente na América do Sul, inclusive no Brasil, e conhecida como “úlcera de Bauru”. A moléstia não chega a causar a morte, mas provoca lesões deformantes, principalmente na face e na região do nariz. O botão do oriente é uma leishmaniose benigna, caracterizada por pequena ulceração da pele (foto). Não é comum no Brasil.

Nas duas últimas décadas, a leishmaniose visceral (LV) reapareceu no mundo de forma preocupante. No Brasil, epidemias urbanas foram observadas em várias cidades e a doença tem sido verificada como infecção oportunista em pacientes com aids. Além disso, a expansão da epidemia acometendo idosos com várias doenças tem ocasionado número elevado de óbitos.

A figura ilustra a lesão “úlcera de Bauru” e as formas trofozoitas das leishmanias.

A forma de transmissão, o diagnóstico e o tratamento é o descrito no tópico LEISHMANIOSE.

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Calazar: Leishmaniose visceral – Qual a importância?

Categoria(s): Atuação Preventiva, Infestações por protozoários, Programas de saúde


Epidemiologia

No Brasil o calazar encontra-se em expansão com o surgir em focos urbanos e suburbanos em cidades como Teresina, Natal, São Luís e Salvador. No Rio de Janeiro há casos esporádicos (entre um e cinco por ano), tendo ocorrido uma epidemia na Região da Serra do Barata, em Bangu, entre 1979 e 1980. O calazar brasileiro assemelha-se ao europeu, no sentido de que são as crianças as suas principais vítimas, e o reservatório da infecção é o cão doméstico. Um foco típico tem 25 a 50% dos cães infectados, e 31% de prevalência abaixo dos 15 anos. Acredita-se que a doença tenha sido importada da Europa com os cães dos primeiros colonizadores ibéricos.

No Brasil, os estados mais acometidos são os do Nordeste, mas o problema existe em quase todos os outros estados. Por exemplo, em dezembro de 1999, a Fundação Nacional de Saúde deu início a um programa de grandes proporções para erradicar o calazar de 21 municípios paulistas da região de Araçatuba, no oeste paulista. Entre 1995 e 1998, o Ministério da Saúde, por intermédio da Fundação Nacional de Saúde, investiu 30 milhões de reais no combate à doença em todo o Brasil. Só em 1999, já foram aplicados 7,73 milhões de reais.

Considerando a grande expansão demográfica que o Brasil está vivendo, com o surgir de novas fronteiras de desenvolvimento a leishmaniose de uma maneira geral assume grande relevância, sobretudo a leishmaniose visceral.


Referência:

Pearson, R.D., Sousa, A.Q., Jeronimo, S.M.B. Leishmania species: Visceral (Kala-Azar), Cutaneous, and Mucosal Leishmaniasis. In: Mandell, G.L., Bennett, J.E., Dolin, R.D. Mandell, Douglas and Bennett’s Principles and Practice of Infectious Diseases, 5th ed., Philadelphia, Churchill-Livingstone, 2000.

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