Arquivo de Infestações por protozoários

Calazar: Leishmaniose visceral – O que é?

Categoria(s): Infectologia, Infestações por protozoários


Dicionário

Leishmaniose é um grupo de doenças causadas por protozoários do gênero Leishmania: o calazar (causado pela L. donovani), é a forma grave da moléstia, se não for tratada, pode levar à morte. A sua incidência no Brasil é elevada.

Na leishmaniose tegumentar (causada pela L. brasiliensis), os protozoários localizam-se na pele e mucosa, causando profundas ulcerações, geralmente em regiões expostas do corpo, como face e membros. É freqüente na América do Sul, inclusive no Brasil, e conhecida como “úlcera de Bauru”. A moléstia não chega a causar a morte, mas provoca lesões deformantes, principalmente na face e na região do nariz. O botão do oriente é uma leishmaniose benigna, caracterizada por pequena ulceração da pele (foto). Não é comum no Brasil.

Nas duas últimas décadas, a leishmaniose visceral (LV) reapareceu no mundo de forma preocupante. No Brasil, epidemias urbanas foram observadas em várias cidades e a doença tem sido verificada como infecção oportunista em pacientes com aids. Além disso, a expansão da epidemia acometendo idosos com várias doenças tem ocasionado número elevado de óbitos.

A figura ilustra a lesão “úlcera de Bauru” e as formas trofozoitas das leishmanias.

A forma de transmissão, o diagnóstico e o tratamento é o descrito no tópico LEISHMANIOSE.

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Calazar: Leishmaniose visceral – Qual a importância?

Categoria(s): Atuação Preventiva, Infestações por protozoários, Programas de saúde


Epidemiologia

No Brasil o calazar encontra-se em expansão com o surgir em focos urbanos e suburbanos em cidades como Teresina, Natal, São Luís e Salvador. No Rio de Janeiro há casos esporádicos (entre um e cinco por ano), tendo ocorrido uma epidemia na Região da Serra do Barata, em Bangu, entre 1979 e 1980. O calazar brasileiro assemelha-se ao europeu, no sentido de que são as crianças as suas principais vítimas, e o reservatório da infecção é o cão doméstico. Um foco típico tem 25 a 50% dos cães infectados, e 31% de prevalência abaixo dos 15 anos. Acredita-se que a doença tenha sido importada da Europa com os cães dos primeiros colonizadores ibéricos.

No Brasil, os estados mais acometidos são os do Nordeste, mas o problema existe em quase todos os outros estados. Por exemplo, em dezembro de 1999, a Fundação Nacional de Saúde deu início a um programa de grandes proporções para erradicar o calazar de 21 municípios paulistas da região de Araçatuba, no oeste paulista. Entre 1995 e 1998, o Ministério da Saúde, por intermédio da Fundação Nacional de Saúde, investiu 30 milhões de reais no combate à doença em todo o Brasil. Só em 1999, já foram aplicados 7,73 milhões de reais.

Considerando a grande expansão demográfica que o Brasil está vivendo, com o surgir de novas fronteiras de desenvolvimento a leishmaniose de uma maneira geral assume grande relevância, sobretudo a leishmaniose visceral.


Referência:

Pearson, R.D., Sousa, A.Q., Jeronimo, S.M.B. Leishmania species: Visceral (Kala-Azar), Cutaneous, and Mucosal Leishmaniasis. In: Mandell, G.L., Bennett, J.E., Dolin, R.D. Mandell, Douglas and Bennett’s Principles and Practice of Infectious Diseases, 5th ed., Philadelphia, Churchill-Livingstone, 2000.

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Calazar: Leishmaniose visceral – Quais os sintomas?

Categoria(s): Infectologia, Infestações por protozoários


Sintomatologia

Numa região onde a leishmaniose é endêmica, o número de infectados assintomáticos pode ser de até 18 para cada indivíduo doente, sendo que estes casos podem ser autolimitados e não ocorrer a manifestação da doença.

O período de incubação da doença é de 3 a 18 meses. A doença instala-se de modo insidioso, com febre prolongada, irregular, e sintomas inespecíficos. Em dois a seis meses, progride para a sua feição clássica: um paciente caquetizado, com cabelos quebradiços, cílios alongados, pele seca de cor cérea, com abdome protuso às custa de enorme hepatoesplenomegalia (foto). Freqüentemente ocorre diarréia e tosse no calazar.

Alterações sangüíneas – Com a evolução da doença surgem os efeitos da invasão da medula óssea pelo parasita e consequente falta de produção dos globulos vermelhos (hemáceas), dos glóbulos brancos (leucócitos) e das plaquetas: Como consequencia surge insuficiência cardíaca por anemia grave, infecções bacterianas por baixa imunidade e sangramentos por falta das plaquetas (plaquetopenia), que são os elementos sanguineos responsáveis pela coagulação do sangue.A diminuição de todos os elementos figurados do sangue (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas) recebe o nome de pancitopenia.

As globulinas séricas que são produzidas pelo linfócitos e plasmócitos estão muito elevadas. A hemossedimentação (VHS) elevada. Eosinófilos ausentes.

1. Infecções subclínicas. Pelo menos 30% dos adultos de uma área endêmica tem leishmanina positiva.

2. Formas incaracterísticas oligossintomáticas. Febrícula, tosse seca, diarréia, adinamia, baço impalpável e fígado pouco aumentado. Um terço evolui para o calazar clássico, especialmente na presença de desnutrição.

3. Formas agudas. Forma aguda disentérica. Febre alta, tosse e diarréia acentuadas. Não há visceromegalias.

4. Calazar clássico. O período de incubação é impreciso, e varia de dois a oito meses. Desnutrição proteico calórica, edemas, cor escura da pele (negra na Índia, parda (cor de cera velha) na América). Há caquexia (desnutrição grave), mas o apetite está preservado. Palidez, cílios alongados, cabelos secos e quebradiços, figado e baço enormes, mas não dolorosos. E também artralgias, epistaxes (sangramento nasal), gengivorragias, cansaço, anemia intensa (mas de instalação lenta, permitindo ao paciente suportar taxas de hemoglobina de 5 ou 6g%), pancitopenias, hiperproteinemias. O óbito se dá geralmente por infecção bacteriana, instalada num indivíduo já caquético e consumido.

Diagnóstico diferencial deve ser feito com a malária, esquistossomose, febre tifóide, salmonelose septicêmica prolongada, histoplasmose, mononucleose infecciosa, doenças hematológicas.

Referência:

Pearson, R.D., Sousa, A.Q., Jeronimo, S.M.B. Leishmania species: Visceral (Kala-Azar), Cutaneous, and Mucosal Leishmaniasis. In: Mandell, G.L., Bennett, J.E., Dolin, R.D. Mandell, Douglas and Bennett’s Principles and Practice of Infectious Diseases, 5th ed., Philadelphia, Churchill-Livingstone, 2000.

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