Doença de Addison – Como é feito o diagnóstico?

Categoria(s): Distúrbios endócrinos, Exames laboratoriais


Diagnóstico

AddisonAs manifestações clínicas da doença de Addison são inespecíficas e de difícil reconhecimento por serem muito vagos, como, astenia, perda de peso, anorexia, fadiga, tonteiras, letargia, depressão, cólicas abdominais, náuseas, vômitos, diarréia, redução da libido, impotência e amenorréia.  Os pacientes podem notar que a pele e em especial as cicatrizes têm ficado escurecidas, e no exame das gengivas observa-se um hiperpigmentação ao redor dos dentes, este fato se deve ao aumento de produção de melatonina. Assim, os achados laboratoriais podem confirmar a suspeita clínica da doença.

Dados laboratoriais – Os níveis de glicocorticóides (cortisol) apresentam uma variação diurna, sendo que os níveis séricos máximos ocorrem entre 4 hs e 8 hs da manhã.

Os níveis baixos de cortisol associados a níveis altos de ACTH (> 100 pg/ml) sugerem insuficiência adrenal primária, enquanto que níveis de ACTH normais ou diminuídos associados a níveis baixos de cortisol sugerem insuficiência adrenal secundária.

Estudo por imagem – O estudo da adrenal por imagem é fundamental para sugerir a possível etiologia. Se as glândulas adrenais apresentarem sinais de atrofia (imagens reduzidas) a etiologia mais provável é a adrenalite auto-imune. Se em contraste, as glândulas adrenais apresentarem-se aumentadas de tamanho, deve-se pensar em causas infecciosas (blastomicose) ou infiltrativas (hemocromatose). Tuberculose da adrenal deverá ser a primeira da investigação, caso as adrenais se apresentarem com aumento de tamanho na ressonância magnética.
Nos casos em que a etiologia é a adrenalite auto-imune, deve-se investigar outros distúrbios glandulares auto-imune, como tireoidites.

Referências:

Bateman A, Singh A et al – The immune-hypthalamic-pituitary-adrenal axis. Endocr Rev. 1989;10:92-112.

Chrousos GP – The hypothalamic-pituitary-adrenal axis and immune-mediated inflammation. N Engl J Med 1993;332:1351-1362.

Oliveira A, Nácul FE – Insuficiência Adrenal no Paciente Crítico: Artigo de Revisão. JBM 2004;87(2):81-90.

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Doença inflamatória intestinal – O que pode ser?

Categoria(s): Dicionário, Distúrbios digestivos


Resenha

medico17

As doenças inflamatórias intestinais podem ser de dois tipos básicos: a retocolite ulcerativa idiopática e a doença de Crohn (conhecida como ileíte regional).

A retocolite ulcerativa idiopática (RCUI) e a doença de Crohn representam mais de 90% dos casos e podem ser distinguidas uma da outra pela clínica, pela endoscópica, pela patologia e pela sorologia. O 10% dos casos restantes são consideradas como sendo DII indeterminada. Ambas, retocolite ulcerativa idiopática e doença de Crohn, têm curva de incidência bimodal, com maior pico em torno da idade de 20 anos e pico menor na idade de 50 anos, mas cada doença pode ocorrer em qualquer idade.

O diagnóstico diferencial da RCUI deve ser feito com doenças infecciosas e parasitárias, como Salmonelose, Shiguelose, Escherichia coli, Campylobacter jejuni, colite pseudo membranosa pelo Clostridium difficile, amebíase, esquistossomose e tuberculose.

Na doença de Crohn o diagnóstico diferencial deve ser feito com doenças infecciosas como a blastomicose, actinomicose, histoplasmose, tuberculose intestinal e Yersinia enterocolitica. Doenças com linfoma, adenocarcinoma, síndrome carcinóide, amebíase, amiloidose, esquistossomose e sarcoidose devem ser lembradas.

retocolite

Retocolite ulcerativa idiopática – Os pacientes com colite ulcerativa se apresentam com diarréia e hematoquezia (sangue nas fezes), geralmente não são tabagistas e têm ulcerações superficiais se extendendo do reto até os colons, com abscessos da cripta intestinal. O diagnóstico diferencial da colite ulcerativa inclui colite infecciosa, colite induzida por estrogênio ou antiinflamatórios não hormonal (AINEs), isquemia, vasculite, lesões por irradiação, colite por exclusão de segmento colônico ou linfoma.

Doença de Crohn – Os pacientes com doença de Crohn comumente se apresentam com diarréia, dorno quadrante inferior direito do abdome com massa inflamatória, febre e perda de peso. Esses pacientes, geralmente são fumantes e têm ulcerações aftosas ou lineares discretas com áreas de inflamação descontínuas ou salteadas. Granulomas não caseosos vistos na histopatologia (figura abaixo) são encontrados em 30% desses pacientes.

Doença de Crohn

Teste laboratoria HLA B27 – O HLA B27 está presente em 50% dos pacientes com doença de Crohn e retocolite ulcerativa idiopática .

A Doença de Whipple (ou granulomatose intestinal lipofágica com densa infiltração da parede intestinal), na doença celíaca (enteropatia induzida por glúten de causa desconhecida), na síndrome da alça cega (bypass jejunoileal), na amebíase e na giardíase também são causas de inflamação intestinal, mas sem associação com o HLA B27.

Veja mais sobre:

Doença de Crohn

Doença inflamatória intestinal – Terapia biológica

Doença de Whipple

Referência:

Enzenauer RJ, Root S – Arthropathy and celiac disease. J Clin Rheumatol. 1998;4:205-208.

Fiocchi C – Inflammatory bowel disease – etiology and patogenesis. Gastroenterology 1998;115:182-205.

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Memória – Quais as causas da perda?

Categoria(s): Distúrbios neurológicos, Infecções bacterianas, Infecções fúngicas, Infecções virais, Infectologia


Etiologia

As causas da perda da memória podem ter as mais variadas etiologias, podendo ser traumáticas, metabólicas, degenerativas, endocrinológicas, nutricionais, infecciosas, cardiovasculares, tóxicas e sensoriais.

Quais as doenças infecciosas que podem apresentar quadro de demência?
As meningites crônicas (tuberculose, blastomicose), a Aids, a sífilis e a doença de Lyme (neuroborreliose) pode causar déficit cognitivo durante o curso da doença.

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