Estenose mitral – Quais os sintomas?

Categoria(s): Distúrbios cardiocirculatórios, Distúrbios Inflamatórios


Sintomatologia

Nos indivíduos normais durante a fase diastólica, quando o ventrículo esquerdo se enche de sangue, a valva mitral (valva que separa o ario esquerdo do ventrículo esquerdo) encontra-se totalmente aberta dando passagem do sangue contido no átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo. Nesta fase a pressão sanguínea dentro do átrio esquerdo é idêntica a do interior do ventrículo esquerdo, e como não existem valvas entre as quatro veias pulmonares que drenam o sangue arterializado dos pulmões no átrio esquerdo, estas veias pulmonares também ficam com a mesma pressão. Em resumo na fase diastólica do ventrículo as pressões são as mesmas entre o ventrículo esquerdo e dos pulmões.

Nas pessoas portadora de estenose mitral, com a abertura da valva fica diminuída (ou seja, estenosada) a pressão do sangue dentro do átrio esquerdo aumenta para vencer esta barreira e chegar ao ventrículo esquerdo, como não existem obstáculos nas veias pulmonares a pressão aumenta dentro dessas veias e atinge as veias e capilares dos pulmões ocasionando a congestão veno-capilar e todos sintomas, ou seja falta de ar aos esforços, taquicardia e até o quadro grave de edema pulmonar (edema agudo de pulmão), emergência que se não for rapidamente tratada provoca o óbito.

Formas clínicas

EM leve – No casos de estenose mitral leve boa parte destes pacientes são assintomáticos, somente uma boa história clínica, pesquisando os antecedentes reumáticos e uma ausculta acurada pode sugerir o diagnóstico.

Acredita-se que a evolução da área da estenose discreta para estenose moderada ocorra em média em 10 anos de evolução, quando então o paciente passa a apresentar congestão veno-capilar, com dispnéia paroxística noturna e dispnéia aos mínimos esforços. O débito cardíaco e normal ou pouco reduzido, respondendo ao exercício com um certo aumento.

EM moderada – Além dos sintomas de congestão veno-capilar pulmonar surgem os sinais e sintomas de hipertensão pulmonar leve/moderada com adaptação do ventrículo direito. A medida que o átrio esquerdo aumenta de tamanho, além do limite adaptativo, ocorre a fibrilação atrial, tendo com expresso clínica palpitações, que a principio podem ser episódicas, para em seguida tornar-se contínua, ou seja respectivamente fibrilação atrial paroxística e fibrilação atrial crônica. Nesta ocasião é possível a ocorrência de trombos intra atriais e surgimento de tromboembolismos para a circulação com suas conseqüências funestas e invalidantes.

EM grave – Além dos sintomas habituais causados pela congestão veno-capilar, como dispnéia de repouso, dispnéia paroxística noturna. Existe a queixa de palpitações freqüentes, expressão clínica da fibrilação atrial e a incapacidade de exercer as mínimas tarefas, até mesmo higiene pessoal. São comuns os casos de hemoptise neste grupo de paciente, assim como os fenômenos tromboembólicos e sincopais, resultante da presença de varizes da veias pulmonares e baixo débito cardíaco respectivamente.

Glossário médico:

Congestão veno-capilar – aumento do volume sanguíneo nas veias e capilares, esses ficam dilatados.

Dispnéia paroxística noturna – acordar a noite com falta de ar.

Fibrilação atrial – ritmo irregular dos átrios, que não se contraem, apenas vibram irregularmente.

Hemoptise- escaro com sangue.

Hipertensão pulmonar – pressão alta nas artérias pulmonares.

Síncope – perda súbita da conciência.

Referências:

Heller SJ, Carleton RA – Abnormal mitral stenosis. Circulation,1970;29:621.

Rapaport E – Natural history of aórtic and mitral valve disease. Am J Cardiol. 1975;35:221.

Grinberg M – Estenose mitral, necessidade de semiologia invasiva ? Arq Bras Cardiol. 1983;40:1.

Westaby S, Karp RB, Blackstone EH, Bishop SS – Adult human valve dimensions and their surgical significance. Am J Cardiol. 1984;53:553.

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