Estenose mitral – O que é?

Categoria(s): Dicionário, Distúrbios cardiocirculatórios


Dicionário

A valva mitral é a única bicúspide e a área dos folhetos e cerca de 2,5 vezes superior a do orifício anular. A área de abertura da valva mitral é maior no homem (6.35 a 10.31 cm2) que na mulher (5.40 a 7.92 cm2) e não se correlaciona a superfície corpórea.

A estenose mitral, disfunção de natureza essencialmente reumática é predominante nas mulheres, comporta-se habitualmente de modo assintomático, por período variável (em média entre 10 e 20 anos) após o surto de doença reumática. Ao redor da terceira década de vida, os sintomas desenvolvem-se de modo progressivo, a medida que a área valvar atinge 2.5-1.5 cm2 (estenose mitral discreta), 1.5-1.1 cm2 (estenose mitral moderada) abaixo de 1.1.

No estudo anatomopatológico podemos observar dois níveis de obstrução: 1. a nível do anel valvar, com orifício mais ou menos excêntrico na dependência da maior ou menor equivalência da fusão de cada uma das comissuras; 2. a nível subvalvar, ocasionado pela espessamento, fusão e encurtamento das cordas tendíneas.

A história natural da estenose mitral (EM) mostra que nos 10 primeiros anos apenas 1/3 dos indivíduos ficam sintomáticos, e que nos os restantes 2/3 ficam sintomáticos nos 10 anos seguintes. Ou seja, a final de 20 anos praticamente todos ficam sintomáticos. Por tanto, é geralmente entre a terceira e quarta década que aparecem os sintomas de estenose mitral. Uma vez o diagnóstico estabelecido a expectativa de sobrevida e de 80% em 5 anos e 60% em 10 anos.

Referências:

Heller SJ, Carleton RA – Abnormal mitral stenosis. Circulation,1970;29:621.
Rapaport E – Natural history of aórtic and mitral valve disease. Am J Cardiol. 1975;35:221.
Grinberg M – Estenose mitral, necessidade de semiologia invasiva ? Arq Bras Cardiol. 1983;40:1.
Westaby S, Karp RB, Blackstone EH, Bishop SS – Adult human valve dimensions and their surgical significance. Am J Cardiol. 1984;53:553.

Tags: ,


Veja Também:

Comentários     Envio por Email Envio por Email


Estenose mitral – Qual a causa?

Categoria(s): Distúrbios cardiocirculatórios, Distúrbios imunológicos


Etiologia

Dentre as causas da estenose mitral a febre reumática é a mais freqüente.
1. Reumática
2. Congênita
- Estenose valvar
- Estenose supravalvar
- Valva mitral em “pára-quedas”
- Cor triatriatum
- Estenose congênita das veias pulmonares
3. Próteses valvares
- Trombose de prótese
4. Neoplasias
- Pseudo xantoma elástico
- Mixoma
- Carcinoma broncogênico metastático
- Síndrome carcinóide do coração

Referências:

Heller SJ, Carleton RA – Abnormal mitral stenosis. Circulation,1970;29:621.
Rapaport E – Natural history of aórtic and mitral valve disease. Am J Cardiol. 1975;35:221.
Grinberg M – Estenose mitral, necessidade de semiologia invasiva ? Arq Bras Cardiol. 1983;40:1.
Westaby S, Karp RB, Blackstone EH, Bishop SS – Adult human valve dimensions and their surgical significance. Am J Cardiol. 1984;53:553.

Tags: ,


Veja Também:

Comentários     Envio por Email Envio por Email


Estenose mitral – Quais os sintomas?

Categoria(s): Distúrbios cardiocirculatórios, Distúrbios Inflamatórios


Sintomatologia

Nos indivíduos normais durante a fase diastólica, quando o ventrículo esquerdo se enche de sangue, a valva mitral (valva que separa o ario esquerdo do ventrículo esquerdo) encontra-se totalmente aberta dando passagem do sangue contido no átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo. Nesta fase a pressão sanguínea dentro do átrio esquerdo é idêntica a do interior do ventrículo esquerdo, e como não existem valvas entre as quatro veias pulmonares que drenam o sangue arterializado dos pulmões no átrio esquerdo, estas veias pulmonares também ficam com a mesma pressão. Em resumo na fase diastólica do ventrículo as pressões são as mesmas entre o ventrículo esquerdo e dos pulmões.

Nas pessoas portadora de estenose mitral, com a abertura da valva fica diminuída (ou seja, estenosada) a pressão do sangue dentro do átrio esquerdo aumenta para vencer esta barreira e chegar ao ventrículo esquerdo, como não existem obstáculos nas veias pulmonares a pressão aumenta dentro dessas veias e atinge as veias e capilares dos pulmões ocasionando a congestão veno-capilar e todos sintomas, ou seja falta de ar aos esforços, taquicardia e até o quadro grave de edema pulmonar (edema agudo de pulmão), emergência que se não for rapidamente tratada provoca o óbito.

Formas clínicas

EM leve - No casos de estenose mitral leve boa parte destes pacientes são assintomáticos, somente uma boa história clínica, pesquisando os antecedentes reumáticos e uma ausculta acurada pode sugerir o diagnóstico.

Acredita-se que a evolução da área da estenose discreta para estenose moderada ocorra em média em 10 anos de evolução, quando então o paciente passa a apresentar congestão veno-capilar, com dispnéia paroxística noturna e dispnéia aos mínimos esforços. O débito cardíaco e normal ou pouco reduzido, respondendo ao exercício com um certo aumento.

EM moderada – Além dos sintomas de congestão veno-capilar pulmonar surgem os sinais e sintomas de hipertensão pulmonar leve/moderada com adaptação do ventrículo direito. A medida que o átrio esquerdo aumenta de tamanho, além do limite adaptativo, ocorre a fibrilação atrial, tendo com expresso clínica palpitações, que a principio podem ser episódicas, para em seguida tornar-se contínua, ou seja respectivamente fibrilação atrial paroxística e fibrilação atrial crônica. Nesta ocasião é possível a ocorrência de trombos intra atriais e surgimento de tromboembolismos para a circulação com suas conseqüências funestas e invalidantes.

EM grave – Além dos sintomas habituais causados pela congestão veno-capilar, como dispnéia de repouso, dispnéia paroxística noturna. Existe a queixa de palpitações freqüentes, expressão clínica da fibrilação atrial e a incapacidade de exercer as mínimas tarefas, até mesmo higiene pessoal. São comuns os casos de hemoptise neste grupo de paciente, assim como os fenômenos tromboembólicos e sincopais, resultante da presença de varizes da veias pulmonares e baixo débito cardíaco respectivamente.

Glossário médico:

Congestão veno-capilar – aumento do volume sanguíneo nas veias e capilares, esses ficam dilatados.

Dispnéia paroxística noturna – acordar a noite com falta de ar.

Fibrilação atrial – ritmo irregular dos átrios, que não se contraem, apenas vibram irregularmente.

Hemoptise- escaro com sangue.

Hipertensão pulmonar – pressão alta nas artérias pulmonares.

Síncope – perda súbita da conciência.

Referências:

Heller SJ, Carleton RA – Abnormal mitral stenosis. Circulation,1970;29:621.

Rapaport E – Natural history of aórtic and mitral valve disease. Am J Cardiol. 1975;35:221.

Grinberg M – Estenose mitral, necessidade de semiologia invasiva ? Arq Bras Cardiol. 1983;40:1.

Westaby S, Karp RB, Blackstone EH, Bishop SS – Adult human valve dimensions and their surgical significance. Am J Cardiol. 1984;53:553.

Tags: , , , , ,


Veja Também:

Comentários     Envio por Email Envio por Email


Page 1 of 212