Dores no joelho – O que é gonartrose?

Categoria(s): Dicionário, Distúrbios Inflamatórios, Distúrbios osteoarticulares


Dores no joelho – O que é gonartrose?


Colaboradora : Sandra Chiavegato Perossi

* Fisioterapeuta, especializada no método Pilates

artroseA osteoartrose de joelho também chamada de gonartrose, é uma doença de caráter inflamatório e degenerativo, que provoca a destruição da cartilagem articular e leva a uma deformidade da articulação. A etiologia da degeneração é complexa e inicia-se com o envelhecimento (1).

Aspectos epidemiológicos – A doença é de caráter crônico, de evolução lenta e sem comprometimento sistêmico de outros órgãos, afetando as articulações periféricas e axiais, mais freqüentemente as que suportam peso. Na grande maioria dos indivíduos se desenvolve de maneira silenciosa. Abaixo dos 40 anos, a freqüência é semelhante, em ambos os sexos sendo, esta patologia, um tanto quanto incomum. Estudos radiológicos demonstraram que a freqüência da Osteoartrose gira em torno de 5% em indivíduos com menos de 30 anos e, atinge 70% a 80% daqueles com mais de 65 anos. Contudo, somente 20% a 30% dos portadores de alterações radiológicas apresentam sintomas da doença.

Particularmente, na articulação do joelho, evidenciou-se, que 52% da população adulta apresenta sinais radiológicos da doença, sendo que, somente 20% destas apresentam alterações consideradas como graves ou moderadas. Já foi demonstrado que a gonartrose (artrose do joelho) tem uma incidência de cerca de 2% por ano nos Estados Unidos, A incidência desta patologia aumenta com a idade, estimando-se atingir 85% da população até os 64 anos sendo que, aos 85 anos é ela universal. Seu impacto social e seu grau de incapacidade e tão importante, que motivou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a criar a Década do Osso e da Articulação (2).

Um recente estudo a OMS refere que a osteortrose seria a quarta causa mais importante de incapacidade entre as mulheres e a oitava entre os homens. Estudos radiográficos mostram algumas alterações em 30% dos homens e mulheres acima de 65 anos, mas apenas um terço desses são sintomáticos (2).

Fatores de Risco (3):
1- De suscetibilidade individual a:
- Hereditariedade (filhas de mães com artrose tem mais probabilidade de desenvolver a patologia).
-Fatores Hormonais (descontroles hormonais propiciam a agudização da doença).
- Obesidade (indivíduos obesos possuem maior carga articular propiciando os fenômenos degradativos).
- Massa óssea (alterações de massa óssea interferem no aparecimento da patologia).
-Hipermotilidade (a hipermotilidade implica em maior stress articular e, como conseqüência, maior facilidade na ruptura da malha colágena)
- Doenças metabólicas.
2 – considerados fatores mecânicos:
- Macro traumas.
- Traumas repetitivos localizados.
- Sobrecargas esportivas.
- Uso inadequado de aparelhos de musculação.
- Alteração da biomecânica normal da articulação.

Sintomas (1):
• Dor relacionada a exercício físico;
• Dor ao repouso;
• Dor noturna;
• Rigidez após inatividade (tempo parado);
• Perda de movimento;
• Sensação de insegurança ou de instabilidade;
• Limitação funcional;
• Incapacidade.

Sinais (1):
• Pontos doloridos nas margens da articulação;
• Sensibilidade exagerada na articulação;
• Inchaço articular;
• Crepitações (atritos);
• Derrame intra-articular;
• Movimentos restritos e dolorosos;
• Atrofia muscular periarticular;
• Enrijecimento da articulação;
• Instabilidade articular.

Fisiopatogenia

Na fase inicial da OA, ocorre fibrilação e irregularidades da camada superficial da cartilagem articular, que se estende para demais camadas com posterior desenvolvimento de microfissuras. Em estágio mais avançado, com a perda da cartilagem e exposição do osso subcondral com microfraturas trabeculares, há ativação osteoblástica, que determina esclerose óssea, formação de cistos subcondrais e osteófitos, estes geralmente situados na periferia articular. Estudos recentes têm sugerido que o envolvimento inicial ocorre no osso subcondral e que este favorece a liberação de citocinas e outros mediadores inflamatórios que atingiriam a cartilagem promovendo a sua degradação.

A degeneração da cartilagem articular causa alterações secundárias na membrana sinovial, ligamentos e músculos. Do ponto de vista celular, a OA é resultado do desequilíbrio entre processo de síntese e destruição da cartilagem articular, incluindo alterações na matriz extracelular (produção aumentada, porém de qualidade anormal de proteoglicanos, diminuição na produção de colágeno tipo II e, em estágios mais avançados, a concentração de proteoglicanos se torna inferior a 50% do normal), condrócitos com pouca responsividade para a síntese, seja pela sua senescência, ou por dano mecânico associado com morte celular.

Embora a OA seja considerada uma doença não inflamatória, alterações articulares estão associadas à inflamação. A membrana sinovial, em resposta aos fragmentos de cartilagem no líquido sinovial (LS), produz metaloproteinases (MMP-2 e MMP-9) e citocinas como IL-1, IL-6 e TNF-α. A IL-1, mais do que as demais citocinas, está associada com estímulo aos sinoviócitos que irão produzir prostaglandina E2, resultando em dor e inflamação. Trata-se de potente interleucina causadora de degradação cartilaginosa por meio da liberação aumentada de metaloproteinases e da inibição de síntese de matriz extracelular.

Tratamento medicamentoso (2)

O uso de anti inflamatórios deverá obedecer as crises de inflamação e, quanto aos anti artrósicos de ação lenta, estes se justificam, e fazem parte da ação condroprotetora e de redução de medicamentos anti-álgicos e antiinflamatórios não hormonais.
Depois de numerosos anos, a Glicosamina foi proposta como um tratamento de primeira linha para as manifestações sintomáticas da Artrose (dor e limitação de função). Já existe um grupo convergente de estudos, de qualidade metodológica pelos meios válidos, sugerindo de fato que, esta molécula pode melhorar dentro de um prazo de 4 a 6 semanas os sintomas principais portadores de artrose. Se bem que dois estudos rigorosos (1,2) confirmam após um a duração de 3 anos que o Sulfato de Glicosamina em uma dosagem de 1500 mg/dia, permite bloquear a progressão estrutural da Osteoartrose de Joelhos (gonartrose). Certo número de pontos de interrogação, persistem quanto à eficácia anti álgida da Glicosamina quanto a melhor maneira de prescrição (formulação, posologia e duração) deste tratamento.

Tratamento cirúrgico (2)

Artroplastia do Joelho: Trata-se de um procedimento cirúrgico complexo que tem por objetivo a restauração da função articular, e a melhora do quadro doloroso. Isto é obtido através da substituição desta articulação acometida por componentes que serão implantados no ato operatório.

Tratamento Fisioterapêutico (2,5):

A fisioterapia é utilizada para aliviar a dor em fases agudas, preservar a função das articulações e melhorar sua movimentação. A fisioterapia alivia a dor e os espasmos musculares, proporcionando a articulação um certo grau de movimento.

As aplicações do calor ou do frio são recursos valiosos na prática da fisioterapia. Ambos constituem-se em recursos terapêuticos de grande valia no alívio da dor e na melhora da função articular. Atualmente não existe um consenso entre os profissionais de reabilitação sobre qual dos recursos terapêuticos empregar em pacientes com artrose avançada. A literatura é vasta em defender o uso tanto da crioterapia quanto do uso sistemático do calor, seja ele na forma de calor superficial ou profundo.

O uso do calor no tratamento de pacientes portadores de gonartrose é eficaz, pois têm a propriedade de alivia a dor, aumentar a flexibilidade dos tecidos músculo-tendíneos, diminuir a rigidez das articulações, melhora o espasmo muscular e a circulação.

Os efeitos terapêuticos da crioterapia também são pronunciados pois através de pacotes ou o gelo em pinceladas se obtém os seguintes resultados: diminuição do espasmo muscular, alivio da dor, eficaz nos traumatismos (entorses, contusões, distensões musculares, etc.), previne o edema e diminui as reações inflamatórias.

Para o alívio da dor e inflamação são utilizados termoterapia por condução, calor local e também eletroterapia, como o TENS e o interferencial.

Os exercícios são os principais recursos para recuperar a força muscular e quando utilizados com eletroterapia aliviam a dor.

Conclusão:

É importante essaltar que a osteoartrose é a doença reumática mais comum entre os idosos e quando não tratada adequadamente pode levar a incapacidade física, quedas e imobilização devido as dores e perda da força muscular, tornando-se assim um grande problema de saúde pública.

Ver mais

Gonartrose – Condroproteção

Gonartrose – Viscossuplementação

Referências:

1. Cossemerlli, W – Reumatologia Básica. Ed. Sarvier – São Paulo, SP, 1992.

2. Marx,F – Tradução e Validação do questionário algofuncional de Laquesne para osteoartrite de joelhos e quadris para a língua portuguesa

3. Resende M – O que é osteoartrose

4. Novaes, A – Osteoartrose – Conceitos e Aspectos Epidemiológicos [on line]

5. Marques AP, Kondo A – A fisioterapia na osteoartrose: uam revisão da literatura. Rev. Bras Reumatologia 38(2)Mar/Abr:83-90,1998 [on line]

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