Prolapso da valva mitral – O que é?

Categoria(s): Distúrbios cardiocirculatórios, Distúrbios genéticos, Distúrbios Inflamatórios


Dicionário

Prolapso mitral

Desde a descrição por Barlow e colaboradores, na década de 1960, diversos estudos têm revelado ser o prolapso valvar mitral (PVM) afecção de amplo espectro. Barlow foi o primeiro a mostrar a associação  de um sopro cardíaco no final da sístole (telessistólico) e alterações eletrocardiográficas da repolarização ventricular esquerda. Sua prevalência é estimada em torno de 5% da população, correspondendo a 7,5% das mulheres e 2,5% dos homens.

O conceito atualmente mais aceito é que o PVM reflete um conjunto de distúrbios do sistema nervoso autonômico, tais como: bradicardia, taquicardia, hipotensão postural, síncope, agitação psíquica. Porém, persistem, ainda muitas controvérsias sobre os critérios diagnósticos, bem como o potencial mórbido, sua incidência e a terapêutica mais apropriada, em especial nos idosos.

No PVM (figura) o folheto da valva mitral projeta-se para o interior do átrio esquerdo e, isso se deve a uma progressiva degeneração mixomatosa, possivelmente devido a alterações inflamatórias, deficiência na produção de colágeno e desarranjo de fibrilas responsáveis pela sustentação dos folhetos valvares. A figura à direita mostra fechamento normal da valva mitral e a da esquerda o prolapso do folheto posterior em direção ao átrio esquerdo.

Em geral o PVM ocorre de forma isolada (com reconhecido componente genético), mas pode estar em associações com síndrome de Marfan, síndrome de Ehlers-Danlos, “osteogenesis imperfecta”, hipertireoidismo e periarterite nodosa.


Referências:

Barlow JB, Pocock WA, Marchand P et al. The significance of late systolic murmurs. Am Heart J 1963;66:443-52.

Tomaru T, Uchida Y, Mohri N et al. Postinflammatory mitral and aortic valve prolapse: a clinical and pathological study. Circulation 1987;76:68-76.

Savage DD, Garrison RJ, Devereux RB et al. Mitral valve prolapse in the general population. I. Epidemiologic features: The Framingham Study. Am Heart J 1983;106: 571-5.

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Miocardite aguda – Como se apresenta?

Categoria(s): Distúrbios cardiocirculatórios


Quadro clínico

A apresentação clínica da miocardite comporta duas fases distintas: aguda e crônica, com uma fase subaguda intermediária nem sempre claramente delimitada. Na fase aguda, viral, pode haver sintomas relacionados à infecção: mal-estar, febre, mialgias, faringite, e manifestações de infecção das vias aéreas superiores e do trato gastrointestinal. À ausculta do coração chama a atenção a presença de taquicardia persistente e desvinculada do quadro de insuficiência cardíaca.

Nessa fase o médico pode auscultar um sopro de insuficiência da valva mitral. Eventualmente pode-se ouvir atrito pericárdico, denotando acometimento concomitante dessa membrana (miopericardite). Outras manifestações cardiovasculares incluem sinais e sintomas de insuficiência cardíaca congestiva e baixo débito anterógrado: estase jugular, edema de membros inferiores, hepatomegalia, estertores pulmonares, pulso filiforme (alternante, nos casos mais graves), palidez cutaneomucosa, etc.

Há ocasiões, no entanto, nas quais a miocardite aguda é totalmente silenciosa do ponto de vista clínico, passando despercebida ou, mais raramente, tendo na morte súbita e nos quadros sincopais sua primeira manifestação.

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Estenose aórtica calcífica – Quais os sintomas?

Categoria(s): Distúrbios cardiocirculatórios


Sintomatologia

Durante longo período a pessoa portadora de estenose aórtica calcífica  permanece sem sintomas. Com um progressivo e gradual processo de adaptação do sistema cardiocirculatório, onde ocorre a sobrecarga do ventricular esquerdo e subseqüente hipertrofia miocárdica. O débito cardíaco conserva-se por muitos anos, caindo apenas nas fases tardias da doença.

O aspecto geral do paciente pouco se modifica nas fases iniciais da doença, e somente observamos alterações mais significativas quando se instala a insuficiência cardíaca esquerda, com dispnéia de repouso, taquicardia, episódios de síncope ou angina.

A curva de sobrevida mostra que nos pacientes portadores de angina o óbito pode ocorrer nos primeiros cinco anos do início do sintoma, nos portadores de episódios de síncope, dentro dos primeiros três anos, e nos portadores de insuficiência cardíaca o seu prognóstico e bem reservado com o óbito ocorrendo num prazo máximo de dois anos.

Referência:

Miguel Jr. A – Retratos em Cardiologia . Fundo Editorial Byk São Paulo, 1997.

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